O mundo está à nossa espera! (com áudio)

Em Opinião

No próximo domingo, pelas 16h00, a Sociedade Recreativa Operária realiza o seu sétimo programa da que poderá ser a futura rádio local de Santarém.

Ouça aqui a crónica de Vítor Franco

Hoje em dia, a internet é a ferramenta de comunicação, Facebook, Youtube, podcast, etc. O tema é “O mundo à nossa espera” e tratará a temática das viagens pelo mundo da Rute Norte, que viaja sozinha em bicicleta, da Vera Santos Félix ribatejana aventureira e do Jorge Salgueiro que se centrará sobre os Caminhos de Santiago.

Este início de abordagem para a nossa crónica, escrita no jornal online Mais Ribatejo e também radiofónica aqui aos microfones da RCA-Ribatejo, é útil para vos suscitar o interesse por este evento que será transmitido nos canais da SRO Santarém mas também para vos colocar a seguinte pergunta:

– Já reparou que “viajar é a única coisa em que você gasta dinheiro mas fica mais rico”?

Esta frase famosa poderá levar o ou a nossa ouvinte ou leitora a dizer:

– Isso é para quem tem dinheiro!

Tem razão, mas pode-se viajar com pouco dinheiro e isso é um desafio compensador. Claro que é ainda mais difícil para quem o dinheiro já falta ao fim do mês devido aos baixos salários.

Rute Norte, na ilha do Corvo

Eu habituei-me a viajar de tenda, pouco comendo em restaurantes, controlando as despesas… Claro que é mais fácil quando se é novo de idade! No entanto, deixo o testemunho de que há dois anos fiz a rota do rio Danúbio, em bicicleta, percorrendo a Alemanha, Áustria, Eslováquia e término em Budapeste na Hungria.

Vítor Franco, na volta de Schlögen, Áustria

No entanto, quero partilhar convosco que aprendi imenso em particular quando comecei a viajar em bicicleta; fiquei muito mais rico!

Aprendi imenso sobre arte e história de arte e como ela se liga com a vida humana, as relações de poder ou e religiosas!

Conheci exemplos sensacionais de soluções urbanísticas simples para problemas aparentemente complexos, aprendi melhor como a mobilidade humana não é só a estrada para o carro – mas principalmente a circulação das cadeiras de rodas, dos carrinhos de bebés, das bicicletas, dos peões, a proteção das crianças e idosos, os bons transportes públicos…

Vera Santos Félix, no Império na Ilha Terceira

Aprendi imenso como facilita o diálogo perceber outros conceitos de vida e que há várias maneiras de encarar a existência humana e isso depende também da construção cultural social, identitária e económica de cada povo ou grupo social! A relação do ser humano com a natureza, o contraste de classe e económico na sociedade, a diferenciação nas identidades religiosas, as tradições vindas de tempos que o tempo levou…

Aprendi imenso sobre a natureza e tornei-me muito mais ativo na sua proteção. É extraordinário percorrer 40 ou 50 km de bicicleta, pela floresta num permanente e intenso cantar das aves. Como é bom usufruir da companhia momentânea de esquilos, cobras, lagartos, coelhos e tantos animais que passam por ti como que a dizer olá; como é bom e parar a bicicleta e beber água no riacho!

Jorge Salgueiro em peregrinação

Aprendi como é a diversidade é muito boa e “faz-nos tão bem à cabeça”! Muitas vezes ficamos egocêntricos encerrados nos nossos (pre)conceitos – tornados dogmas –, em vivências isoladas do mundo ou só a ele ligado pelas notícias da TV. Então, perdemos o nosso espírito crítico, perdemos capacidade de perceber a outra pessoa, perdemos tolerância e ganhamos aquela arrogância de quem tem as frases todas feitas e as razões todas!

Renovo o convite: domingo às 16h em direto nos canais do Facebook e Youtube da SRO Santarém junte-se à conversa com três excelentes pessoas: a Vera, a Rute e o Jorge. Vai gostar!

Vítor Franco

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