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As crianças, os males ligeiros e o aconselhamento farmacêutico

Em Saúde

O território do aconselhamento farmacêutico tem vindo a crescer, para benefício de doentes e utentes de saúde, de todas as idades. A legislação prevê que as farmácias possam prestar serviços farmacêuticos e outros serviços de saúde e de promoção do bem-estar dos doentes. Mais recentemente (Portaria n.º 97/2018, de 9 de abril) o espaço de intervenção farmacêutica foi ampliado com novos serviços, caso das consultas de nutrição, programas de adesão à terapêutica, realização de testes rápidos para o rastreio de infeções por VIH, cuidados elementares na prevenção e tratamento do pé-diabético, campanhas e programas de literacia em saúde, prevenção da doença e da promoção de estilos de vida saudáveis.

Serve este introito para lembrar aos pais que devem contar com a farmácia para certos males ligeiros das crianças como é o caso da obstipação, das cólicas, da tosse, da amigdalite, da febre e das intolerâncias alimentares. Isto para enfatizar que se a farmácia é um espaço de saúde onde os utentes são atendidos por um profissional credenciado, especialista no medicamento, ele também detém amplos conhecimentos sobre estilos e vida saudáveis, sobre a prática de automedicação responsável, deve cuidar de sensibilizar os seus doentes para a adesão terapêutica e prestar aconselhamento sobre medicamentos não sujeitos a prescrição médica que estão destinados a tratar situações de baixa gravidade.

Na prática, os pais podem contar com este aconselhamento quando se trata de prisão de ventre da criança, conhecer como se previne e se trata a mesma, quais os procedimentos para aliviar as cólicas, há medicamentos que devem ser usados como primeiro recurso; igualmente quando se fala de otite na criança, deve-se contar com o farmacêutico para saber mais quanto à prevenção da otite externa na criança e até mesmo da otite média aguda na criança e conhecer as manifestações que levam a procurar prontamente o médico; e há a amigdalite, que tantos tormentos provoca, deve-se ouvir com cuidado este aconselhamento farmacêutico em que não é necessário usar antibióticos, na grande maioria das amigdalites elas são de origem viral e estas não devem ser tratadas com antibióticos de forma indiscriminada – o seu uso está reservado em casos de sintomas altamente sugestivos de infeção bacteriana ou na presença de exames bacteriológicos conclusivos; uma das situações que mais aflige os pais é a febre na criança, o encaminhamento para o médico deve-se processar com toda a urgência sempre que existam manifestações do tipo: idade inferior a três meses, alteração do estado de consciência, olhar triste, mantendo as pálpebras persistentemente entreabertas ao fim de várias horas, prostração mantida, recusa de colo, com preferência pela cama, comportamento indicativo de dor; há as intolerâncias alimentares na criança, são bem distintas das alergias, a intolerância manifesta-se pela dificuldade do organismo na digestão ou na assimilação de um determinado alimento, e daí a premência em que os pais saibam mais sobre as intolerâncias alimentares e sobretudo deterem uma boa informação sobre a doença celíaca, que é uma intolerância alimentar causada por uma doença autoimune (ocorre quando o sistema imunológico ataca e destrói tecidos saudáveis do corpo por engano) no intestino, resultando numa permanente sensibilidade ao glúten em indivíduos geneticamente suscetíveis; e não podemos ignorar a preocupação dos pais com a tosse da criança, tem variadas causas como sejam as infeções do trato respiratório e que se podem relacionar com um conjunto de patologias (refluxo esofágico, asma brônquica, bronquiolite, gripe, pneumonia, rinite e sinusite, parasitoses, conjuntivite, …). E há também a tosse recorrente ou crónica, enfim, os pais devem encontrar neste aconselhamento informações sobre as causas da tosse e se há terapêuticas não farmacológicas para a aliviar, por exemplo. Aqui se vê como se deve fazer o melhor aproveitamento da farmácia para tratar destes males ligeiros ou saber quando se deve ir prontamente ao pediatra.

Mário Beja Santos

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