Arsuaga pôs em livro a “grande história” da vida, “uma viagem pelo labirinto da evolução”

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O investigador Juan Luis Arsuaga, presente em Lisboa para apresentação do seu livro “Vida, a grande história”, definiu a obra como “reflexo” da sua investigação de décadas sobre os quatro mil milhões de anos de vida na Terra.

A grandiosa viagem da vida, desde o seu aparecimento na Terra até hoje, contada por um dos seus maiores conhecedores.
Há cerca de 4 mil milhões de anos a vida apareceu na Terra. Qual é a história da sua evolução? Seria inevitável a vida? E a espécie humana? Teria existido outro ser inteligente, se os humanos não tivessem surgido? Que padrões utiliza o mecanismo evolutivo? A evolução avançará como uma seta, para diante? A partir de perguntas como estas, e das diversas respostas científicas que lhes têm sido dadas ao longo dos anos, o autor traça uma verdadeira história da vida que culmina na mais antiga interrogação sobre o significado da humanidade: porque estamos aqui?
A grandiosa viagem da vida, desde o seu aparecimento na Terra até hoje, contada por um dos seus maiores conhecedores.
Há cerca de 4 mil milhões de anos a vida apareceu na Terra. Qual é a história da sua evolução? Seria inevitável a vida? E a espécie humana? Teria existido outro ser inteligente, se os humanos não tivessem surgido? Que padrões utiliza o mecanismo evolutivo? A evolução avançará como uma seta, para diante? A partir de perguntas como estas, e das diversas respostas científicas que lhes têm sido dadas ao longo dos anos, o autor traça uma verdadeira história da vida que culmina na mais antiga interrogação sobre o significado da humanidade: porque estamos aqui?

“Vida, a grande história. Uma viagem pelo labirinto da evolução” é sobre a “consciência de estar vivo e por que estamos aqui”, disse o investigador, na sessão de apresentação da obra, que decorreu na quinta-feira, no Museu Nacional de Arqueologia, em Lisboa.

“Neste livro está toda a minha carreia, os debates que tive, as perguntas que fiz, o que questionei e interroguei, os caminhos para as respostas, que trouxeram mais perguntas e por que estamos aqui, hoje”, afirmou.

Catedrático de Paleontologia na Universidade Complutense de Madrid, diretor científico do Museu da Evolução Humana, em Burgos, responsável pela descoberta de fósseis que permitiram perceber um pouco mais da história da humanidade, Juan Luis Arsuaga Ferreras soma perto de 40 anos de investigação, e o seu novo livro aborda as etapas desde o aparecimento da vida na Terra até ao dia de hoje, culminando na grande interrogação sobre o motivo da existência, “a mais antiga sobre o significado da humanidade”.

Juan Luis Arsuaga - Wikidata
Juan Luis Arsuaga Ferreras

Para o autor, que vê no “conhecimento um prazer”, traduzido “em perguntar até o óbvio, aquilo que outros não veem, nem questionam”, a vida dever ser algo mais do que “estar aqui”. “E essa outra coisa se chama cultura, música, poesia, natureza, beleza”.

“A vida não pode ser trabalhar a semana inteira e ir ao supermercado ao sábado. Não pode ser assim. Essa vida não é humana. Tem de haver algo mais”, disse numa entrevista ao jornal El País, em junho de 2019, quando da publicação de “Vida, a grande história”, em Espanha.

Em Lisboa, o paleoantropólogo fez o elogio da inquietação. Explicou que, quando os pais lhe dizem que os filhos se interessam por fósseis, lhes recomenda que leiam Shakespeare.

Para Arsuaga, cabe ao professor inquietar os estudantes com perguntas, e não transmitir-lhes certezas absolutas. Atualmente, e como fruto da sua carreira, o professor catedrático disse ter “cada vez menos certezas e cada vez mais dúvidas, mais perguntas”. São as perguntas que interessam aos cientistas. E Arsuaga garantiu ser “um colecionador de perguntas”.

Nascido em Madrid, em 1954, Juan Luis Arsuaga liderou a equipa que, em 1992, descobriu e estudou o “crânio 5”, mais completo do registo fóssil da humanidade.

Em “Vida, a grande história” fala exatamente da origem do cosmos à origem da vida, e das diferentes etapas desse processo: o aparecimento da Terra, o aparecimento da vida, o aumento da complexidade das células, a criação da consciência, do pensamento, a noção de abstrato.

“Cada um desses passos poderia ou não ter acontecido”, disse Arsuaga quando da edição do livro em Espanha. “Provavelmente não era preciso que acontecessem ou talvez fossem inevitáveis. A pergunta é se a história da vida e a história humana têm uma direção, um sentido. O próprio leitor, com a informação que lhe dou, pode decidir por si se cada passo é algo que tinha ou não de que acontecer”.

Na introdução da obra agora publicada pelo Círculo de Leitores/Temas e Debates, o autor afirma que, tratando-se de um livro de um paleoantropólogo, “a evolução humana não pode ser percebida de maneira isolada, como se tivesse as suas próprias leis, exclusivamente aplicadas aos símios bípedes”.

“A ciência está muito especializada”, afirmou, alertando para a importância de “escapar à armadilha da especialização”. “Um especialista é alguém que sabe muito sobre muito pouco, ou seja, sabe quase tudo de nada”, afirmou, defendendo a necessidade de uma perspetiva mais global.

A obra “aborda os grandes debates da evolução”, como disse o arqueólogo português João Zilhão, na apresentação. Divide-se em duas partes: a evolução humana e a evolução da vida, em que o autor equaciona as diferentes perspetivas e teorias dos últimos 150 anos, e apresenta a sua reflexão.

Zilhão trabalhou com Arsuaga sobre o “crânio 3” da Aroeira, encontrado no complexo arqueológico do rio Almonda, em Torres Novas.

O arqueólogo português realçou, por seu turno, que “a ciência é também um acumular de conhecimentos que gera perguntas e é cada vez mais coletiva e internacional”.

O livro “Vida, a grande história. Uma viagem pelo labirinto da evolução” tem ilustrações de Susana Cid e foi traduzido para português por Pedro Garcia Rosado.

Para Juan Luis Arsuaga, numa analogia com a “árvore da vida” dos antigos egípcios, “para compreender a vida na sua totalidade, há que olhar para cima e para baixo, para as ramagens grossas e finas, para a copa e para a madeira caída e seca, para o que é fragrante e para o que está caduco, para o presente e para o passado”.

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