fbpx

Newsletter

Não perca as últimas. Receba no Email as notícias do Mais Ribatejo

Email Marketing by E-goi

A cor das minhas fotos! (com áudio)

Em Opinião

Faz quase dois anos que escrevi aqui o artigo “Do jovem apanhador de tomate ao Arútam de António”. Do baú das memórias fiz presente aqueles momentos que nos fazem ser uma pessoa em construção. Desse baú, retiro fotos imaginárias captadas em instantâneos de máquinas que faziam parar o tempo nos tempos idos…

As “fotos” já têm cores esbatidas, mas mantêm o sentimento e a consciência do ser! Talvez por as querer avivar vou voltando aos locais onde enfrentei o sol inclemente sobre o meu corpo de desajeitado apanhador de tomate à mão.

Hoje a máquina tomou o lugar humano e exponenciou a produtividade. Naquele tempo éramos ranchos de rapazes e raparigas que faziam do seu suor o apoio à família e, ou, a construção de um pequeno mealheiro para devaneios da idade e da energia farta.

A máquina substituiu as pessoas, na agricultura como em qualquer modo produtivo, diminuindo imenso o tempo necessário à mesma produção. Em termos marxistas significa que o capital fixo diminuiu a força de trabalho / capital variável. O problema é que essa enorme variação / diminuição do tempo necessário à mesma produção não se traduziu na diminuição do horário de trabalho humano.

No caso dos imigrantes, pró-escravizados, até aumentou muito. Quer isto dizer que a relação homem – máquina variou imenso em desfavor do trabalhador e só em benefício de alguém que se “transformou em agiota”. Assim, o “valor da venda da força de trabalho” diminuiu imenso como se comprova diariamente pelas notícias.

Objetivamente, nesse meu tempo de jovem apanhador de tomate, à caixa, nos campos das Caneiras, eu ganhava muito mais do que os jovens indianos e paquistaneses de hoje. Hoje, o suor que cai rosto dos jovens trabalhadores agrícolas é mesmo “o pão que o diabo amassou”!

Não sei se a cineasta Maria Basaglia conheceu os campos da apanha do tomate, mas conheceu a vida sofrida dos trabalhadores agrícolas brasileiros e a ganância dos agiotas cegos pela usura. Naquele ano de 1957 a vida era retratada a preto e branco, assim ela deu à tela o filme “O pão que o diabo amassou”. Hoje a cor do grande ecrã ainda não chegou às vidas dos jovens imigrantes.

As minhas fotos imaginárias, essas, anseiam pela cor de uma vida futura no respeito por todos os seres humanos porque a terra é para tod@s!

A terra só será de tod@s se lutarmos por isso. Se ficarmos como o tomate, ou a nêspera, somos comidos ou apodrecemos!

Vítor Franco

(deputado municipal do Bloco de Esquerda)

Leave a Reply

Recentes de Opinião

Ir para Início
%d bloggers like this: