CLAPA denuncia novos crimes ambientais no rio Alviela e faz exigências ao Governo para travar poluição (vídeo)

Em Ambiente

A CLAPA – Comissão de Luta Anti-Poluição do Alviela dá conta de novas descargas poluentes no rio Alviela e enumera um conjunto de exigências para travar de vez o flagelo da poluição.

Em comunicado, a CLAPA afirma ter sido contactada por diversas pessoas e entidades a testemunhar a ocorrência de mais uma agressão ambiental ao rio Alviela ao longo das últimas horas do dia 2 de junho.

“Pela enésima vez, é perpetrado nos lugares de Rodeados e Secalina, junto à zona da Anaia, em território bem próximo das povoações da União de Freguesias de Casével e Vaqueiros e da Freguesia de Pernes, no concelho de Santarém, o despejo considerável de urina e outros resíduos provenientes das agropecuárias intensivas que ali estão laborar”, refere a CLAPA.

Os pontos críticos onde ocorrem estes ataques ao rio Alviela estão devidamente identificados, adianta a CLAPA, considerando que “é caso para afirmar que está tudo identificado. Esta gravíssima situação de poluição da água do rio, do ar, dos solos, dos lençóis freáticos, de destruição da fauna e da flora, destrói todo o ecossistema do corredor do Alviela e constitui um grave atentado à saúde pública”.

A CLAPA salienta que a situação “foi reportado a todos os organismos com responsabilidades efectivas no cumprimento de tudo o que é lei em matéria da defesa do ambiente, da saúde e da segurança das populações. Isto, embora, por vezes, haja a tentação da parte de alguns, de dar a entender que não se soube”

“Até quando irá continuar este atrevimento de desrespeitar diversas leis?” questiona a associação liderada por José Gabriel.

A CLAPA enumera as seguintes exigências aos ministérios do Ambiente, da Agricultura, da Saúde, da Indústria, da Coesão Territorial e da Administração Interna:

– o regresso imediato de guarda-rios para fazer a guarda e a proteção regular de todo o nosso rio desde a nascente até à foz; – a colocação de câmaras de vídeo vigilância nos diversos pontos críticos do Alviela (perfeitamente referenciados) onde costumam ocorrer as descargas poluentes para que a impunidade acabe de vez;

– a realização de análises à água, ao ar, assim como aos solos confinantes do rio nos mesmos locais críticos e a respectiva divulgação publica desses resultados para que haja rigor e transparência;

– a realização de exames de saúde às populações ribeirinhas do Alviela, pois aconteceram já imensas mortes cuja principal suspeita é este flagelo da poluição;- a instalação bem próxima do do rio Alviela de gabinetes de trabalho com os recursos humanos necessários da Agência Portuguesa do Ambiente, da Direcção Regional de Agricultura e Pescas, da Inspecção Geral da Administração do Território, da Entidade Regional de Saúde, do Serviço de Protecção da Natureza da GNR;- o estudo rigoroso acerca da real capacidade da estação de tratamento de águas de Alcanena e de todo o sistema que faz o tratamento dos resíduos da indústria de curtumes”.

“Quem toma decisões sobre a nossa qualidade de vida bem como sobre o rio Alviela deve estar no terreno junto às diversas populações de forma ao longo dos 365 dias do ano”, defende a CLAPA, considerando que “este enorme passivo ambiental com a evidente diminuição da qualidade de vida, da fuga de quem pode fugir destes lugares nauseabundos, de empobrecimento porque a actividade agrícola, comercial, ou industrial terminou – todo este cenário de mau estar tem que acabar”

“Está prestes a ser implementado o Plano de Recuperação e Resiliência com imensos milhões para realizar boa obra pública”, refere a CLAPA, defendendo que “as diversas comunidades ribeirinhas do rio Alviela merecem e devem ser compensadas dos enormes prejuízos derivados da poluição que acontecem há mais de 60 anos, com boa obra pública”.

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