Manuela Marques demite-se da Comissão de Toponímia “em nome da dignidade”

Em Sociedade

Em comunicado, o Bloco de Esquerda de Santarém “saúda solidariamente a atitude corajosa da sua representante na Comissão Municipal de Toponímia de Santarém”.

Na carta de demissão que dirigiu a todos os membros da Comissão Municipal de Toponímia, Manuela Marques, nomeada pelo Bloco de Esquerda, justifica a posição “em nome da dignidade com que aceitamos constituir essa Comissão, desligo-me dos hábitos pouco saudáveis para a democracia em que a mesma funciona demito-me por ser impossível exercer a Cidadania nos termos da funcionalidade em que esta Câmara se exerce.”

A carta a que o Mais Ribatejo teve acesso refere que “temos sido convocados sistematicamente a pouquíssimos dias da realização de reunião para que a Comissão analise e se pronuncie nas decisões sobre a Toponímia do Concelho. Muitas vezes de véspera vem o acesso à ordem de trabalhos; se tais factos traduzem o desrespeito pelos pareceres dos participantes, ainda se agravam mais pelo facto de nos depararmos com os actos consumados – placas colocadas com o desconhecimento dos elementos desta comissão, sem quaisquer oportunidade de colocar em causa as escolhas efectuadas à revelia dos representantes dos partidos que deveriam agir em nome da Cidadania“.

Para Manuela Marques, “um dos factores mais alarmantes do que ultimamente tem acontecido, tem sido a “deliberação” de concessão de nomes de ruas a cidadãos ainda vivos, com os mais disparatados critérios, notoriamente tendo em atenção a troca de favores políticos ou outros, servindo clientelas, atropelando valores de memórias e respeitabilidade de factos, instituições e cidadãos dignos de registo no colectivo que ocasiona a Toponímia”.

“Devo chamar a atenção para uma pretensão que foi por nós apresentada nessa Comissão, em 19/06/2019, elaborada por um historial colectado pelo sr. Coronel Garcia Correia, sobre a atribuição do nome da Escola Prática de cavalaria a uma rua ou um largo com merecimento para tal representatividade, em função dos serviços prestados por essa instituição à Cidade e à Região de Santarém”, salienta Manuela Marques.

Recorda que “foi generalizado o acordo a tal pretensão pelos intervenientes. No entanto…o silêncio foi a resposta – o que nos leva a creditar que alguém se premeia com o apagamento da memória da EPC no histórico intrínseco da nossa Cidade. Em nome da dignidade com que aceitamos constituir essa Comissão, desligamo-nos dos hábitos pouco saudáveis para a democracia em que a mesma funciona”.

“Uma vez ouvido o Partido Político que nos propôs, o Bloco de Esquerda, demitimo-nos de membro dessa Comissão por ser impossível exercer a Cidadania nos termos da funcionalidade em que esta Câmara se exerce”, conclui a representante do Bloco de Esquerda, Maria Manuela Marques.

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