Constância deixou perder tradição do Sagrado Coração de Jesus

Em Correio dos Leitores

A Procissão do Sagrado Coração de Jesus realizou-se no mês de Junho na Vila de Constância pelo menos até aos anos 90. Sobre a sua origem diziam as zeladoras Maria José Cardoso Fonseca e Maria José Delgado que era festa muito importante já nas suas juventudes. O que nos faz recuar aos anos 30 pelo menos. Esta devoção está intrinsecamente ligada ao mês do Sagrado Coração de Jesus em que diariamente se rezava o terço neste altar e bem assim as orações próprias devocionais. No final havia missa no mesmo altar.

Foto da procissão do SCJ percorrendo a praça de Constância. Anos 60?

Recordo bem o ofício do padre João Rodrigues Vermelho, o qual não faltava a nenhum acto desta devoção dando o seu exemplo aos jovens e mais idosos que enchiam muitos bancos da igreja. O mesmo sucedia no mês de Maio, mês de María. Era uma alegria ver aos domingos a igreja cheia de fiéis e os bancos da catequese repletos de crianças. Logo pela manhã sentia-se o movimento nas pedras da calçada de Santana da correria em direção à matriz. Vinham em grupos, cada qual com a sua ou o seu catequista.

Os toques dos sinos do velho carrilhão conferiam à atmosfera uma certa áurea, a qual se completava com os sons harmónicos do nosso órgão mecânico. Em dia de procissão havia a profissão de fé em redor do altar.  E depois lá íamos pela vila fora, em marcha ordeira, cantando e rezando os tradicionais cânticos e orações. Sem vergonha de manifestar a nossa religiosidade. Não havia a preocupação das “selfies” pois o mundo era bem diferente. Nem os autarcas tinham direito a cadeiras próprias e citações.

A procissão descia pelas ruas de Santa Ana, São Pedro, dos Ferreiros, e rumava à praça pela avenida. Teve vários percursos de regresso à matriz. Mais recentemente subia pela Cândido dos Reis, dos Bombeiros, rumo ao adro.

Andor de São José da procissão do SCJ, na antiga Estrada Nacional 3

Já depois da benção do Santíssimo (até esse acto eliminaram no final da procissão da Boa Viagem) havia o lanche no adro, de confraternização. Lá vão os tempos em que a D. Adelaide Sommer oferecia o café com leite e a minha madrinha Maria Eugénia, criada do padre Ramiro, acendia o forno de lenha, para cozer o pão e os bolos de azeite. Tudo acabou. Creio que o Cónego José Maria Rodrigues d’ Oliveira fez a última festa. Encerrou-se um ciclo.

Os Andores eram os do Sagrado Coração de Jesus, Nossa Senhora de Fátima e o meu padrinho de baptismo, São José: a Sagrada Família.

A zeladora Maria Carolina Delgado foi durante muitos anos uma das organizadoras. Outro nome importante era o catequista Manuel Fonseca.

Cantávamos no coro alto da igreja de Nossa Senhora dos Mártires. Quantas vezes toquei no órgão de tubos os cânticos ao Sagrado Coração de Jesus.Ainda hoje temos lá em casa os tradicionais quadros das duas devoções facto que era comum nos lares dos nossos conterrâneos locais.

Há três anos ainda participei no mês do Sagrado Coração de Jesus mas  éramos meia dúzia de veteranos….

Na vila havia o Apostolado da Oração, uma Obra pontifícia, de organização diocesana. Até isso se perdeu.

A devoção ao SCJ tem origem nas próprias Sagradas Escrituras e já era referenciada pelos Padres da Igreja nascente.

Imagem do Sagrado Coração de Jesus

Vários Papas incentivaram esta devoção através de encíclicas.

Segundo consta, a piedade ligada ao Coração de Jesus está em união com a devoção ao Imaculado Coração de Maria. Muitos santos recomendaram esta devoção.

Na página de Aleteia pode ler-se que «o coração é um dos modos de falar do infinito amor de Deus por nós».

A devoção ao SCJ aparece em dois momentos fortes do evangelho: no gesto do discípulo amado durante a Última Ceia e no calvário, no episódio da lança.Podemos citar os apelos transmitidos por Santa Margarida Maria Alacoque para reparação e em desagravo do coração de Jesus.

Andor de Nossa Senhora de Fátima na Rua Luís de Camões.

Na Cova da Iria os três pastorinhos testemunharam a revelação da devoção reparadora ao imaculado coração de Maria, pelas ofensas cometidas pelos homens a Deus. Este entendimento resulta da mensagem de Fátima global.

O que é notável é a confirmação através das aparições da missão Co-redentora de Maria. A tempo escrevi sobre esta missão da mãe do Messias, a propósito de um hino de acção de graças dos manuscritos do mar morto, apenas descobertos em 1947. Ora as aparições decorreram 30 anos antes da descoberta de Qumran. Muitos poderão dizer que não acreditam nos pastorinhos. Mas o que eles disseram está escrito. Parece-me haver na mensagem de Fátima «sinais» sobre a Mãe de Deus inequívocos. Só a fé pode levar ao discernimento que nos conduz à verdade e à salvação.Eu acredito em Fátima e nas devoções ao Sagrado Coração de Jesus e ao Coração Imaculado de Maria. Acredito na comunhão dos Santos revelada pelas escrituras. 

Santinho do meu saudoso pai, Acácio Alves Luz, muito antigo. do Sagrado Coração de Jesus.

É verdade que quer o proto-evangelho (génesis), o evangelho de João e o livro do apocalipse nos dão sinais da missão co-redentora de Maria. Mas aquelas crianças inocentes e puras da Cova da iria não eram propriamente versadas em alta exegese bíblica. Quantos católicos ainda hoje em dia sabem explicar, sem saber ler, a missão co-redentora de Maria? Pois…


José Luz

(Constância)

PS- não uso o AOLP

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