Putos reguilas e ministros sem espinha

Em Opinião

Fefé, como era conhecido o Senhor Presidente da Assembleia da República nos seus tempos áureos (nunca os teve), decidiu convidar os portugueses para, em massa, se deslocarem a Sevilha e apoiarem a já eliminada Selecção Nacional. Inicialmente, as gentes de boa-fé, onde me incluo, atribuíram o dislate – não fora a existência de uma pandemia – ao calor do momento, uma vez que a nossa equipa de futebol havia enfrentado a França, empatando e qualificando-se para os quartos-de-final do Europeu.

Contudo, Fefé, no seu característico e descanhotado (mesmo intitulando-se de esquerda) modo de fazer política, conseguiu provar que estávamos errados e que, na verdade, o respeito pelo cargo que ocupa e a preocupação com as consequências desta malquerente doença nunca estiverem presentes no seu espírito. Apesar das mais do que razoáveis críticas, que aconselhavam a que pedisse de desculpas, optou por bufar uma chufa, em pleno Parlamento, sobre a sua ida a Espanha para ver a bola.

O Senhor Presidente da República, incrédulo com o gabarolas Fefé, apercebeu-se de que a locomoção à Andaluzia para assistir à ludopédica eliminatória, acompanhado por este gaiato com tiques de fedelho, seria bastante prejudicial para a relação de confiança que se deve estabelecer entre instituições e cidadãos, pelo que lá inventou uma justificativa para meter o menino Ferro Rodrigues no canto da sala, de castigo, a pensar na vida.

Este não desarmou, repetindo o apelo; mas o principal foi obtido: não foi à terra de nuestros hermanos e já não vai…

A despeito deste triste episódio protagonizado pela segunda figura mais importante do Estado português – pelo menos, oficialmente –, algo bem pior aconteceu e que merece não ser esquecido. Como todos sabem, um homem faleceu atropelado pelo veículo que transportava o Ministro da Administração Interna. O sinistro ocorreu, se não me engano, há cerca de 8 dias, estando a situação envolta numa desagradável e opaca caligem, porque o Ministério da Administração Interna, contrariando os princípios legais a que está adstrito, se recusa a fornecer dados sobre a velocidade a que o carro oficial se movia.

Não pretendo, nesta fase – e com parca informação –, assumir um papel acusador no que toca ao aludido embate; no entanto, não posso ignorar a atitude vergonhosa de Eduardo Cabrita após tão mesto desenlace.

Confesso-vos que esperava, ao invés daquele frio e distante comunicado, que o Senhor Ministro da Administração Interna apresentasse esclarecimentos públicos numa conferência de imprensa e que, sem prejuízo das condolências transmitidas por telefone aos familiares, desmarcasse a sua agenda para comparecer no funeral.  Afinal de contas, um ser humano morreu; e, como se costuma dizer, isto era o mínimo que poderia ser feito, ainda que se venha a demonstrar que a colisão estradal sobreveio por descuido da vítima.

Todavia, Eduardo Cabrita confirmou o que a maioria de nós cogita acerca do massacrado (porque se põe a jeito) pára-raios de António Costa: a sua condição esponjosa não lhe autoriza a verticalidade dos seres com coluna vertebral.

E, portanto, por aí continuará a rastejar…

João Salvador Fernandes

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