É o tempo de romper o silêncio na cidade! (áudio)

Em Opinião

Pegámos no que nos vem de dentro, da nossa infância, das nossas vivências e brincadeiras…

Pegámos em recordações de namoricos e caminhadas de encontros…

Pegámos no inconformismo, pois quem sabe faz a hora, não espera acontecer

Foto de arquivo

Pegámos em escovas e panos, baldes e vassouras, escada e sacos para o lixo, luvas e botas, vontades e afetos…

Tratámos as tuas pedras com carinho, mesmo que as escovas de aço te provocassem arrepios…

Tratámos as tuas feridas abertas pelo tempo e pelo abandono dos poderes do burgo…

Tratámos os teus tanques de água que a tantos animais deram de beber…

Tratámos o teu espaço envolvente… Demos-te um brilho que deu gosto!

Velhinha, de 186 anos, sofres de esquecimento nas entranhas…

Velhinha que não protestas, mas por certo detestas quem te vê sem te ver…

Velhinha sem voz; silêncio na cidade não se escuta

Quero outra realidade menos morta!

Que desdém para contigo têm os políticos de fato engomado das cadeiras do poder!

29 de junho de 2014, faz 7 anos…

Faz tempo que nos juntámos para cuidar de ti; tu que és “uma das sobreviventes da rede de fontes, chafarizes e fontanários estrategicamente colocados ao longo das calçadas de acesso ao planalto scalabitano”. Faz tempo que te conferiram identidade e valor no ”Senado da Câmara de Santarém de 1835 conforme atestado pelas datas apostas quer no espaldar da fonte quer na porta da casa das Minas Gerais que alimentam as quatro bicas…” (1)

29 de junho de 2014, faz 7 anos… À tarde fizemos uma festa na tua irmã Fonte das Figueiras, lembras-te? Era o tempo em que no Movimento “No Coração da Cidade – Santarém” praticávamos sucessivos atos cívicos para sensibilizar a população para a sua própria terra e trazer ao tempo presente valores da natureza, do património, da história, da identidade real e não “touro-ficcionada”…

Fonte da Junqueira: Esta terra há-de ser de tod@s, tu continuarás a matar-nos a sede em caminhadas ao Tejo…

Faz tempo… É o tempo de romper o silêncio na cidade!

Vítor Franco

(deputado municipal do Bloco de Esquerda)

1 – Desconheço autoria deste texto.

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