Segunda-feira, Janeiro 30, 2023
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InícioLeiturasGrandes nomes da literatura de crime e mistério, por Carlos MacedoGrandes nomes da literatura de crime e mistério (18): Edgar Wallace (1875-1932)
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Grandes nomes da literatura de crime e mistério (18): Edgar Wallace (1875-1932)

Tudo é trepidante na obra de Wallace.

A violência teatral das emoções, a profusão resfolgante dos mistérios, a sucessão rápida das inúmeras aventuras, onde perigo de morte é o menos que pode suceder.

Os seus numerosíssimos contos, romances, novelas, peças de teatro, têm um ritmo, uma sucessão constante de peripécias numa velocidade de Zeppelin, pérfidas conspirações dignas de um Bórgia, armadilhas, traições, lutas desmedidas, de um dinamismo visual, de cinema-de-ação “avant la lettre”.

Em cada duas páginas, duelos de pistola ou de mera inteligência, envenenamentos misteriosos, assaltos inexplicáveis que prendem facilmente, além do empenho apaixonado do herói, o interesse seguro do leitor mais invertebrado.

O desfecho ou o ardil raramente imprevisível, um toque de melodrama muito simples, tão simples, nos cordelinhos que o movem, na simplicidade da trama, no sempiterno romance da pobre dactilógrafa, vítima de um Supervilão, entre o psicopata e o Demiurgo do Mal.

Edgar Wallace

Mas que acabará por casar com o lorde milionário, que é polícia amador, porque apostou com amigos de Clube, que chegaria a Inspetor do CID sem “cunhas”.

Ou porque jurou querer consumar a justa vingança de um amigo, cruelmente assassinado, ou até porque teve uma discussão (fútil) com o pai austero, pelo seu estouvado comportamento em Oxford, e preferiu ser um “Bobby”.

Histórias que se repetem, sempre, quase a papel químico.

E, no entanto, estes romances de viagem de comboio, como os chamavam, prendem-nos de uma forma que não explicamos.

Não resistimos e, por vezes (envergonhados) até lhes pegamos de novo, numa morrinhenta tarde de chuva.

E voltamos a lê-los, com redobrado prazer, de fio a pavio.

Wallace nasceu em 1875, em Greenwich, filho ilegítimo de Richard Horatio Edgar Marriott, ator de pequeno calibre e de Marie (“Pollie”) Richards, para, com nove dias de idade, ser renegado pelos pais e adotado pelo comerciante de peixe George Freeman, já pai de onze filhos.

Tratando do comércio do pai adotivo, Edgar frequenta diariamente o mercado de Billingsgate desde criança, onde o universo popular da “Belle Époque” londrina (descarregadores, comerciantes de verduras italianos, ourives judeus, “bookmakers”, “ferros-velhos”, polícias, antigos militares, pequenos merceeiros, prostitutas e donos de “pubs”) se lhe revela em trajes íntimos (por assim dizer…).

Aos onze anos, sabe, por fim, que não é filho de Freeman. Aos doze, começa ativamente a trabalhar onde e como pode.

Vendedor de jornais, ajudante de leiteiro, aprendiz de litógrafo.

Com a adolescência começa igualmente, no seu dia-a-dia laboral, a partilhar (e a observar com lucidez e inteligência) o quotidiano, as refeições e transportes, os modestos divertimentos de um vaivém interminável das lindas e modestas dactilógrafas, pequenos bancários, empregados de escritório, vendedores de jornais, modestos jornalistas, no seu trabalho, na City ou nos bairros populares londrinos.

Aos dezoito anos, alista-se no Royal West Kent Regiment, onde é colocado nos serviços administrativos do Medical Corps e por fim, mobilizado para a guerra contra as repúblicas Afrikaans, na África do Sul.

Aí começa a escrever poemas nos jornais (“The Mission that Failed, 1898”) e a escrever, como jornalista, no “Randy Daily Mail”, em Joanesburgo, acabando o seu excesso de zelo jornalístico por conduzir à sua demissão do Exército.

Torna-se correspondente militar da Reuter, cobrindo grande parte da guerra anglo-bóer, para jornais do Reino-Unido e da colónia britânica. Em 1900, de volta a Inglaterra, ao serviço de Lorde Northcliffe, o Rupert Murdoch do início do século XX, empreende diversas atividades jornalísticas (crónica judiciária do Daily Mail) que o fazem reencontrar-se, de novo, com a terra natal (e costumes da sua nova pequena burguesia urbana, seus novos gostos, “tiques” e modas, o submundo criminal em crescimento, o mundo do “turf”, etc.).

De que não perde pitada e lhe virão a ser de imensa utilidade na obra policial que vai começar.

Estamos em plena época de Jingoísmo exacerbado, em que o Tommy é elogiado (“But it’s saviour of ‘is country when the guns begin to shoot”); a indústria e a banca prosperam; em que os derradeiros e ativos vitorianos conhecem imenso da Austrália, África e América, mas apenas numa perspetiva de aí fazer fortuna (os pobres) ou turismo (a “cant” e a “gentry” do virar do século).

Uns e outros, arrogantes, seguros de si e profundamente chauvinistas. Wallace alimentará as ilusões da pequena burguesia, nas escassas leituras que esta se permite (com recurso às bibliotecas que alugam livros) e a imaginação das “altas classes”, nas suas entediantes viagens de comboio, ou nos ainda mais enfadonhos fins de semana, nas suas mansões rurais (de família).

Fará imenso uso, na sua obra, do profundo conhecimento que tem, dos “gangs” de batoteiros profissionais, atuando nos navios de recreio e cruzeiros de férias (“The Steward”), dos hipódromos (onde se arruinou e perdeu quantias fabulosas…) e, sobretudo, do mundo dos “cockney” londrinos, com que convivera tantos anos…

A experiência africana, por seu lado, aliada à indesmentida amizade do editor da revista “The Windsor Magazine”, fá-lo publicar, com êxito, uma série de romances de temas de aventuras africanas, como “Sanders of the River”, entre 1911 e 1914.

Mas já se dera a reviravolta sensacional que o ia arrastar para a literatura policial.

Criando a sua própria editora, publica, em 1905, “The Four Just Men”, que, embora redunde num “flop” financeiro o lançará, goste-se ou não do género folhetinesco em que era exímio, como um dos grandes escritores populares (e criador de “best-sellers”) do policial dos anos 10 e 20 do século passado.

Quanto aos celebérrimos “Four Just Men” (que como os Mosqueteiros de Dumas, quase sempre foram três…): Clarice Merrill (morto já num duelo com a polícia em Bordeaux, ao começar a Saga), Léon Gonzalez, Gregory Manfred e Raymond (assim batizado pelo “continuador” de Wallace, Peter Coussee) Poiccart, aparecerão ainda em “The Council of Justice”, de 1908; “The Just Men of Cordova”, de 1917; “The Law of The Four Just Men”, de 1921; “The Three Just Men”, de 1925 e finalmente, “Again the Three Just Men”, de 1928. Vários heróis de geometria variável (quatro…três…normalmente dois), que estarão na origem de um culto, prolongado por dezenas e dezenas de anos em séries de TV e inumeráveis filmes, que começam na fábrica de filmes de Hollywood, nos anos vinte e se prolonga pelo Reino Unido e pela Alemanha do ante e pós-guerra, até aos nossos dias….

Entretanto, a produção literária de Wallace arranca, a um ritmo tão vertiginoso que assusta (no decurso dos anos vinte, chega a redigir simultaneamente seis livros e a ditar a um magnetofone, num único fim-de- semana, um romance completo).

Lança-se em tudo, ao mesmo tempo: peças de teatro, poesias, ensaios  históricos, direção e “scripts” cinematográficos, novelas e claro, romances policiais…).

Os seus livros dão-nos uma mistura, de modo algum intragável, (antes pelo contrário), de romance-folhetim à Féval, romance de aventuras à Buchan e “neogótico” de terror puro, passado nos anos dez a vinte.

E, por vezes, até nos presenteia com uma obra de mistério e enigma, de bom recorte e nível literário (“The Clue of the Twisted Candle”, “Dark Eyes of London”; “The Clue of the New Pin”, etc.).

Em 1901 casara-se com Ivy Caldecott de quem tem quatro filhos (Eleanor, Brian, Patricia e Michael), acabando por se divorciar em 1918 e casar-se, de novo, em 1921, já com quarenta e seis anos, com a sua secretária, Violet King, de quem tem uma filha, Penelope.

Morre aos cinquenta e sete anos, a 10 de fevereiro de 1932, de uma pneumonia (era diabético e recusou tratar-se, por ser Christian Scientist…). Ironicamente, numa estadia na “Sunny Hollywood” …

Nas cento e setenta e três obras literárias que produziu (e que incluem, por exemplo, obras tão díspares como o argumento do celebérrimo “King-Kong”, para a RKO; poemas sobre a Guerra dos “Boers”; poesias em “The Mission that Failed”, de 1898; dezassete peças de teatro, uma das quais, “On the Spot” de 1930, leva apenas quatro dias a ser escrita e lança no mundo do espetáculo um jovem desconhecido, Charles Laughton; tudo isto sem contarmos com centenas de artigos diversos). Entre elas, encontram-se noventa romances e trinta e duas coletâneas de contos, que abordam temas de literatura policial.

Qual o motor principal desta hiperatividade frenética? É penoso dizê-lo: o jogo e as apostas em corridas de cavalos.

Um homem que se podia gabar de (nos anos vinte e trinta do século XX) um em cada quatro dos livros vendidos no Reino Unido era de sua autoria (rondando, ainda hoje, pelas muitas centenas de milhares anuais…), que, entre 1905 e 1928, viu ser adaptados ao cinema mais de 15 dos seus livros; argumentista contratado pela RKO; cujos direitos (apenas os literários) lhe permitiam, durante mais de dez anos, ganhar anualmente a soma astronómica de 150.000 £ anuais, morreu crivado de dívidas.

Possuía um castelo assombroso, um iate de luxo, assim como uma das melhores coudelarias de cavalos de corrida de toda a Grã-Bretanha.

Mas também perdia, diariamente, semanas a fio, 300 libras ou mais, em corridas de cavalos ou galgos. Jogava compulsivamente, de nada lhe servindo ser conhecedor do meio hípico, de “turf-accountants” e “bookmakers” e editor de diversas revistas do “turf”.

O raciocínio lógico, que, inadvertida ou tolamente, se associa ao escritor policial, em nada o ajudou. Em jogo, era dotado da tola ingenuidade de uma criança.

Ganhou imenso. Delapidou ainda mais.

Com ele, mais do que com qualquer dos seus émulos, morre uma época extraordinária do policial, que conserva ainda hoje uma frescura adolescente, um sabor a aventura, que parecem inultrapassáveis. Tão ingénuos são os cordelinhos da intriga….

Com ele, regressados a uma época horrível (lembremos 1914-1918 e os seus mortos; lembremos 1929-31 e os seus efeitos) reinventamos “essa” realidade, recuperamos as possibilidades de êxito, frente ao difícil e ao adverso.

Com Wallace, reconstruímos o mundo, abolimos o irremediável.

E descobrimos que a pobre escriturária virtuosa, de 4 libras por semana, casa com o jovem e atraente Lorde ou o ainda fresco quarentão, Chefe da polícia londrina (no fim do livro, claro) e que mesmo o pobre cinquentenário raquítico, mal vestido, alojado e alimentado (além de míope) investigador, pode ser o omnipotente Mr. Reeder, o Detetive dos detetives, na Londres dos anos vinte…

J. C. Reeder, é um membro do Gabinete do Delegado do Ministério Público, odiosamente respeitador da Lei & Ordem, dos superiores hierárquicos (nas Finanças, no Ministério Público) e do rei (por esta ordem), a quem, na Scotland Yard, chamam com inveja de “sortudo”, recordando inúmeras circunstâncias surpreendentes que, mais de uma vez, o ajudaram a solucionar casos complexos. Mr. Reeder, por seu lado, costumava dizer que era ele próprio que era o responsável por todas as “coincidências” que o ajudavam. “O saber ou inteirar-se de coisas era o que mais o preocupava. Amontoava pormenores ou factos, como as mulheres podem amontoar retalhos de seda e os mecânicos porcas, parafusos ou pregos raros, não porque fossem de uso imediato, mas porque um dia…”.

Eis Mr. Reeder, infantilmente apaixonado, aos cinquenta e muitos anos, por uma jovem que podia ser sua filha, romântico e tímido a cortejá-la, vestindo ainda velhas sobrecasacas e botas de bico quadrado, muito polido com “a gente honesta”, respeitador de todos os valores vitorianos e mais perigoso que uma mamba, cruzada com uma cascavel….

Outra faceta: em “Feathered Serpent”, em “Room 13”, em “The Door with Seven Locks”, em “The Valley of the Ghosts”, sabe Deus em quantos mais, a trama é quase igual: a jovem, encantadora, pobre (mas com ricas heranças em perspetiva, ou um pai ou irmão pecador, que cabe resgatar do “Mal”…); o polícia herói, sempre dominante, hábil e dissimulado, às vezes (“Príncipe- Rã”…), sob a capa de tonto, “alcoólico” ou mesmo criminoso; o vilão, sempre inicialmente apresentado como um filantropo, um encantador Mr. Pickwick ou um severo defensor da lei…

Uma equipa de justiceiros é ainda mais célebre que Reeder. Refiro-me aos Mosqueteiros de Wallace.

Estes quatro homens justos (em detrimento do team dos Mosqueteiros de Dumas, que eram quatro…) sempre foram três (o quarto, Merrill, pseudónimo a ocultar um possível catalão ou húngaro… porque não?), morto em Bordeaux, em luta com a polícia, no primeiro capítulo do primeiro romance: Léon González, espanhol ou argentino; Raymond Poiccard, francês; George Manfred, britânico.

As dissertações de Gonzalez sobre Lombroso ou o crime “científico” em geral são pueris, caricatas e absurdas…, mas cuidado! Léon também sabia e podia ser um adversário mortal e um amante perfeito.

Guardou, para sempre, três cicatrizes de uma aventura com uma bela jovem de Córdova, mas os que lhas fizeram, morreram.

Manfred era um pedante, mais autoconvencido que Peter Wimsey, com “feições e gestos de aristocrata e no meio da multidão, salientava-se não só pela altura como pelos atributos imponderáveis que distinguem a boa raça” (Wallace, “Again the Three Just Men”).

Ou seja, um inútil.

Fora de servir de manequim, não se lhe conhece grande utilidade para nada, a não ser armar em juiz de quando em vez, sem nenhuma autoridade moral para o efeito e exibir-se em corridas de cavalos e na ópera.

A falar verdade, ainda menos se vislumbra qualquer valia acrescida pela presença discreta do teórico Raymond Poiccard, um tudo nada menos ignorante que Léon, mas dando a impressão de ter decorado a coleção completa de “Acredite, se quiser…”, do Reader’s Digest…

Ou seja, na prática, “Os quatro Homens Justos” são tudo menos isso: descarregam todo o trabalho em Léon Gonzalez, que é, de facto, um verdadeiro “one man show” …

Resta-nos mencionar a última celebridade, uma versão mais bondosa do Fantômas de Souvestre e Allain…

Refiro-me ao justiceiro apelidado de “The Ringer” (“Camaleão”, em versão portuguesa do C. de Leitores, 1983; “O Sineiro”, na versão brasileira da Coleção Amarela da Globo, Porto Alegre, 1938). Trata-se de um tal Henry Arthur Milton, feliz marido de uma encantadora cúmplice.

Sua mulher, Cora Ann Milton.

Combate-o (pois, como os “Four Just Men” é, aos olhos da Lei e da Ordem, um “terrível criminoso”) o inquebrantável Superintendente Bliss, polícia competente e corajoso, proprietário de um humor cáustico, acolitado por um excelente rapaz e detetive, Allan Wembury (que casa e desaparece; como sabemos, a felicidade não tem história…) e um idiota arrogante e oportunista, o Inspetor Mander.

Milton, além de evidentes qualidades para se mascarar e assassinar, que bateriam, à época, Lon Chaney, pai, parece ser apenas um Léon Gonzalez misantropo, temperando por vezes a misantropia, com o sarcasmo venenoso de um Monthy Pyton….

Resta-nos falar do sabor, um encanto muito especial dos seus contos (short stories) em que é exímio.

Sem dúvida mais à vontade na narração breve e seca, cria, numa série de pequenos episódios do “estilo” dos de “The Ringer” ou dos “Three Just Men”, um mundo muito vivo.

O dos trapaceiros de cartas, nas longas viagens de recreio em “transatlânticos”, “agindo laboriosamente num grande navio, nas suas idas e vindas sobre a vastidão das águas do Atlântico” (a descrição anterior é de Wallace). Este mundo tem os seus heróis e altruístas, os seus canalhas e até assassinos e é-nos apresentado pelos “olhos” de um “stewart” (camareiro de bordo), com um nível literário e uma graça muito aceitáveis.

Dele, só sabemos que se chama Félix e que mora em Southampton, com uma irmã.

E que tem um condão nato para por alcunhas inapreciáveis aos maiores figurões do mundo dos batoteiros de bordo: Harry Thewaiter; Jo Extein; Bo Wilder; Long Bill Patton (do Missouri…); Wally Vole; Spooky Simms. A todos atende e é amigo dos “bons”. De caminho está na origem de alguns dos melhores contos de Wallace.

Quanto a “Brigand”, galante ex-combatente da I Grande Guerra, e antepassado de quantos Saints ou Vingadores a imaginação de alguns criará, é o modesto Sr. Anthony Newton.

Acabado o conflito, constata as suas pequenas ou nulas capacidades para a vida útil de quem trabalha, pois, na gaveta “aptidões” nada constava, prova irrefragável, de acordo com Wallace, de “que um jovem educado numa «public school», apenas consegue obter um mais do que insignificante capital de conhecimentos práticos, quase inúteis”.

Daí, ei-lo tornado num implacável Robin Hood, roubando ou castigando apenas aos ladrões e patifes milionários, para se tornar (ele também) rico.

Em “The Clue of the New Pin“, de 1923, de enredo anormalmente complexo para Wallace e engenhosamente concebido, acompanhando Derr Biggers, procede à reabilitação de um chinês, o subtil Yeh Ling, contra a odiosa xenofobia que varria o Reino Unido. de ponta a ponta.

Como em “The Clue of the Twisted Candle“, de 1918, com uma profundidade no mistério e um ritmo que nos deixam estarrecidos.

Também merece salientar-se ainda a sua imaginativa “veia” neogótica, entre o terror do assassino louco e o melodrama, de uma série de livros, de que destaco “The Black Abbott”, de 1926; “The Terror”, de 1929; “The Terrible People”, de 1927; “The Door with Seven Locks”, de 1927, que já mete eugenias criptonazis de Darwinismo social, de efeitos hediondos; “The Fourth Plague”, de 1913; “The Green Rust”, de 1919, que penetra nos arcanos da guerra bacteriológica; “The Green Archer”, de 1923, que atinge o clímax num “neogótico”, já a roçar as fronteiras do fantástico…

Nos quatro primeiros que citei, há psicopatas dementes que tocam órgão a horas avançadas da noite; assassinos sociopatas que se disfarçam de velhotes bondosos; famílias inteiras de dementes criminosos de origem escandinava, que metem a “Ma Baker” num chinelo…

Em “Door with Seven Locks”, que tenho como dos melhores deste tipo, o suspense atinge já um grau impressionante, existindo cenas que ainda hoje dariam um bom filme de estilo Wes Craven

O homem, de facto, tocava em todos os instrumentos e com uma facilidade que ainda hoje o singulariza neste campo literário…

Em cada obra sua, existe um subjacente desejo de responder às necessidades da sua época, em matéria de literatura de “evasão”.

Fê-lo com rara mestria, idealizando uma Inglaterra de “happy-go-lucky attitude” para com as colónias, os oceanos (onde imperava sem contestação, a Royal Navy), os humildes (sempre com oportunidades de ganhar decentemente a vidinha…), a polícia (que acabava sempre por impor a Lei e a Ordem).

Era inculto, de horizontes estreitos, profundamente chauvinista.

No entanto, ainda hoje, dos E. U. A. até à Argentina ou ao Japão, dificilmente se resiste ao prazer emoliente de ler a história até ao fim… terminando-a, em geral, com um suspiro de satisfação.

OBRA

I – MR. REEDER

1.     “ROOM 13” – 1924

  • “THE MIND OF MR. J.C. REEDER” – 1925
  • “TERROR KEEP” – 1925
  • “RED ACES” – 1929
  • “THE GUV’NOR AND OTHER STORIES” – 1932
  • “THE GUV’NOR” – 1932
  • “MR. J. C. REEDER RETURNS” – 1934

II – THE FOUR JUST MEN

  1. “THE FOUR JUST MEN” – 1905
  2. “THE COUNCIL OF JUSTICE” – 1908
  3. “THE JUST MEN OF CORDOVA” – 1917
  4. “THE LAW OF THE FOUR JUST MEN” – 1921
  5. “THE THREE JUST MEN” – 1925
  6. “AGAIN THE THREE JUST MEN” – 1928
  7.  

III – THE RINGER AND SUPERINTENDENT BLISS

  1. “THE RINGER” – 1923
  2. “AGAIN THE RINGER” – 1927

ROMANCES

  • THE MISSION THAT FAILED – 1898
  • SMITHY – 1905
  • ANGEL ESQUIRE – 1908
  • CAPTAIN TATHAM OF TATHAM ISLAND – 1909
  • SMITHY ABROAD – 1909
  • THE DUKE IN THE SUBURBS – 1909
  •  THE NINE BEARS – 1910
  • SANDERS OF THE RIVER – 1911
  • THE PEOPLE OF THE RIVER – 1912
  •  PRIVATE SELBY – 1912
  • THE FOURTH PLAGUE – 1913
  •  GREY TIMOTHY – 1913
  • THE RIVER OF STARS – 1913
  • THE ADMIRABLE CARFEW – 1914
  • BOSAMBO OF THE RIVER – 1914
  • BONES – 1915
  • THE MAN WHO BOUGHT LONDON – 1915
  • THE MELODY OF DEATH – 1915
  • THE KEEPERS OF KINGS PEACE – 1917
  •  THE SECRET HOUSE – 1917
  • THE CLUE OF THE TWISTED CANDLE – 1918
  • DOWN UNDER DONOVAN – 1918
  • LIEUTNANT BONES – 1918
  • THE GREEN RUST – 191
  • 9 KATE PLUS TEN – 1919
  • THE MAN WHO KNEW – 1919
  • THE DAFFODIL MYSTERY – 1919
  • JACK O’JUDGEMENT – 1920
  • BONES IN LONDON – 1921
  • THE BOOK OF ALL POWER – 1921
  • THE ANGEL OF TERROR – 1922
  • THE CRIMSON CIRCLE – 1922
  • THE VALLEY OF GHOSTS – 1922
  • CAPTAIN OF SOULS – 1923
  • CHICK – 1923
  • BONES OF THE RIVER – 1923
  • THE GREEN ARCHER – 1923
  • THE CLUE OF THE NEW PIN – 1923
  • THE MISSING MILLION – 1923
  • THE DARK EYES OF LONDON – 1924
  •  DOUBLE DAN – 1924
  • EDUCATED EVANS – 1924
  • THE FACE IN THE NIGHT – 1924
  • ROOM 13 – 1924
  • THE SINISTER MAN – 1924
  • THE THREE OAKS MYSTERY – 1924
  •  THE BLACK AVONS – 1925
  • THE DAUGHTERS OF THE NIGHT – 1925
  • THE BLUE HAND – 1925
  • THE FELLOWSHIP OF THE FROG – 1925 THE GAUNT STRANGER – 1925
  • A KING BY NIGHT – 1925
  • THE STRANGE COUNTESS – 1925
  • THE UNLOVED – 1925
  • HAND IN THE SHADOW –1925
  •  WHITE FACE – 1925
  • THE AVENGER – 1925
  • BARBARA ON HER OWN – 1926
  • THE BLACK ABBOT – 1926
  • THE DAY OF UNITING – 1926
  • THE DOOR WITH SEVEN LOCKS – 1926
  •  THE JOKER – 1926
  • THE MAN FROM MOROCCO – 1926
  • THE MILLION DOLLAR STORY – 1926
  • MORE EDUCATED EVANS – 1926
  • THE NORTHRING TRAMP – 1926
  • PENELOPE OF THE POLYANTHA – 1926
  •  SANDERS – 1926
  • THE SQUARE EMERALD – 1926
  • THE TERRIBLE PEOPLE – 1926
  • WE SHALL SEE – 1926
  • THE YELLOW SNAKE – 1926
  • BIG FOOT – 1927
  • THE FEATHERED SERPENT – 1927
  •  THE TERROR – 1927
  • FLAT 2 – 1927
  • THE FORGER – 1927
  • GOOD EVANS – 1927
  • THE HAND OF POWER – 1927
  • THE MAN THAT WAS NOBODY – 1927
  • THE RINGER – 1927
  • THE MIXER – 1927
  • NUMBER SIX – 1927
  • THE SQUEAKER – 1927
  •  TERROR KEEP – 1927
  • THE TRAITOR’S GATE – 1927
  • AGAIN SANDERS – 1928
  • THE DOUBLE – 1928
  • ELEGANT EDWARD – 1928
  • THE FLYING SQUAD – 1928
  • THE GUNNER – 1928
  • THE ORATOR – 1928
  • THE THIEF IN THE NIGHT – 1928
  • THE TWISTER – 1928
  • AGAIN THE RINGER – 1929
  • THE BIG FOUR – 1929
  • THE BLACK – 1929
  • THE CAT BURGLAR – 1929
  • CIRCUMSTANCIAL EVIDENCE – 1929
  • FIGHTING SNUB REILLY – 1929
  • FOR INFORMATION RECEIVED – 1929
  •  FOUR SQUARE JANE – 1929
  • THE GHOST OF DOWNHILL – 1929
  •  THE GOLDEN HADES – 1929
  • THE GOVERNOR OF CHI-FOO – 1929
  •  THE GREEN RIBBON – 1929
  • THE INDIA RUBBER MEN – 1929
  • THE LADY OF LITTLE HELL – 1929
  • THE PRISON BREAKERS – 1929
  • RED ACES – 1929
  • THE REPORTER – 1929
  •  THE TERROR – 1929
  • THE CALENDAR – 1930
  • THE CLUE OF THE SILVER KEY – 1930
  •  THE IRON GRIP – 1930
  • KILLER KAY – 1930
  • THE LADY CALLED NITA – 1930
  • THE LADY OF ASCOT – 193
  •  WHITE FACE – 1930
  • MRS. WILLIAM JONES AND BILL – 1930
  •  THE COAT OF ARMS – 1930
  • THE DEVIL MAN – 1930
  • THE VEILED LADY – 1931
  • THE REGRETTED UNCLE – 1931
  • HE MAN AT THE CARLTON – 1931
  •  ON THE SPOT – 1931
  • THE CASE OF THE FRIGHTNED LADY – 1932
  •  THE GREEN PACK – 1932
  • SARGEANT SIR PETER – 1932
  • THE LAST ADVENTURE – 1932
  • THE WOMAN FROM THE EAST – 1934
  • THE MOUTHPIECE – 1935

CONTOS

  • FORTY-EIGHT SHORT-STORIES
  • THE BRIGAND
  • THE STEWART

FILMES

Imagem do filme “Os Quatro Homens Justos”, 1921
  1. “Four Just Men”, 1925, UK, Real. George Ridgwell. Com: Cecil Humphreys, Teddy Arundell, and C.H. Croker-King.
  2. Idem, 1939, UK, Real. Walter Forde. Com: Hugh Sinclair, Griffith Jones, Francis Sullivan, Frank Lawton.
  3. “Crimson Circle”, 1929, UK, Real. George Ridgewell. Com: Madge Stuart, Victor McLaglen, Rex Davis and Fred Groves
  4. Idem, 1929, Alemanha, Real. Friedrich Zelnik. Com: Lya Mara, Hans Albers, Hans Marlow.
  5. Idem, 1929, Alemanha-Inglaterra, mesmo realizador e intérpretes, com exceção de Albers e a entrada do próprio Edgar Wallace!
  6. Idem, 1936, UK, Real. de Reginald Denham. Com: Noah Beery, Hugh Wakefield, Alfred Drayton, June Duprez.
  7. Idem, 1959, Alemanha, Real. Jürgen Roland. Com: Renate Ewert, Karl Saebisch, Klausjürgen Wussow, Thomas Alder.
  8. The Clue of the New Pin”, 1929, Real. De Arthur Maude. Com: John Gielgud, Benita Hume, Donald Calthrop and Kim Peacock.
  9. Idem, 1961, Real. Alan Davis. Com: James Villiers, Paul Daneman, Bernard Achard and Catherine Woodville.
  10. Idem, 1972, Alemanha. Real. Massimo Dallamano. Com: Joachim Fuchsberger, Karin Baal, Günther Stoll, Fabio Testi.
  11. “The Sinister Man”, 1927, Alemanha. Real. Manfred Noa. Com: Ellen Richter, Ruth Weyer, Siegfried Arno.
  12. Idem, 1961, UK. Real. Clive Donner. Com: Eric Young, John Bentley, Jacqueline Ellis, Patrick Allen.
  13. “Room 13”, 1937, UK. Real. Norman Lee. Com: Leslie Perrins, Peter Murray-Hill, Sarah Seegar.
  14. Idem, 1963, Alemanha. Real. Harald Reinl. Com: Joachim Fuchsberger, Karin Dor, Walter Rilla, Richard Haüssler.
  15. “The Valley of Ghosts”, 1928, Alemanha. Real. G. B. Samuelson. Com: Miriam Seegar, Wally Bosco, Ian Hunter.
  16. “The Mind of Mr. Reeder”, dois em 1939, ambos de UK. Mesmo realizador: Alex Raymond. 1º com Will Fyffe (1884-1947), excepcional personificação de Reeder, George Curzon. 2º com Will Fyffe, Kay Walsh, Ronald Adam, Ronald Shiner.
  17. “The Ringer”, 1928, UK. Real. Arthur Maude. Com: Nigel Barrie, Leslie Faber, Annette Benson.
  18. Idem, 1931, UK. Real. Walter Forde. Com: Patrick Curwen, Franklin Dyall, Carol Goodner.
  19. Idem, 1932, Austria-Alemanha. Real. Karl Lamac. Com: Fritz Rasp, Wera Engels, Maria Solveg, Paul Richter.
  20. Idem, 1938, UK. Real. Walter Forde. Com: Alexander Knox, Sonnie Hale, Peter Croft.
  21. Idem, 1952, UK. Real. Guy Hamilton. Com: Herbert Lom, Donald Wolfit, Mai Zetterling, Greta Gynt.
  22. Idem, 1964, Alemanha. Real. Alfred Vohrer. Com: Joachim Fuchsberger, Heinz Drache, Sophie Hardy.
  23. “The Fellowship of the Frog”, 1928, EUA. Real. Archibald Heath. Com: Frank Miller, Donald Reed and Margaret Morris.
  24. Idem, 1937, UK. Real. Jack Raymond. Com: Noah Beery, Jack Hawkins and Gordon Harker.
  25. Idem, 1959, Alemanha-Dinamarca. Real. Harald Reinl. Com: Joachim Fuchsberger, Siegfried Lowitz, Jochen Brockman.
  26. “The Door with Seven Locks”, 1940, UK. Real. Norman Lee. Com: Leslie Banks, Lili Palmer, Romilly Lunge, Gina Malo and Richard Bird.
  27. Idem, 1962, Alemanha. Real. Alfred Vohrer. Com: Heinz Drache, Hans Nielsen, Werner Peters, Jan Hendricks.
  28. “The Terrible People”, 1928, EUA. Real. Spencer Gordon Bennet. Com: Walter Miller, Wilfred North and Allene Ray.
  29. Idem, 1960, Alemanha. Real. Harald Reinl. Com: Joachim Fuchsberger, Karin Dor, Fritz Rasp.
  • “The Feathered Serpent”, 1932, EUA. Real. Roy William Neill. Com: Bette Davis, H. B. Warner and Walter Byron.
  • Idem, 1934, UK. Real. P. McLean Rogers. Com: Sydney Monckton, Enid Stamp-Taylor and Moore Marriott.
  • “The Terror”, 1928, EUA. Real. Roy del Ruth. Com: Louise Fazenda, May McAvoy, Edward Horton.
  • Idem, 1934, EUA. Real. Howard Bretherton. Com: Mary Astor, Lyle Talbot, Irving Pichel.
  • Idem, 1938, UK. Real. Richard Bird. Com: Alastair Sim, Wilfred Lawson, Bernard Lee, Arthur Wohnter.
  • Idem, 1965, Alemanha. Real. Harald Reinl. Com: Eddi Arent, Karin Dor, Ilse Steppat, Harald Leipnitz.
  • Idem, 1967, Alemanha. Real. Alfred Vohrer. Com: Joachim Fuchsberger, Uschi Glas, Grit Böttcher, Siegfreid Schürenberg.
  • “Again the Three Just Men”, 1966, UK. Real. Werner Jacobs. Com: Christopher Lee, Leo Genn, Heinz Drache, Margaret Lee.

SÉRIES TELEVISIVAS

Série televisiva “Os Quatro Homens Justos”, primeira série
  1. “The Four Just Men” – Série de 39 Episódios, em versão ultra libérrima da obra de Wallace (com a qual pouco ou nada tem a ver) – 1959 – Com Dan Dailey, Jack Hawkins, Richard Conte e Vittorio de Sica.
  2. “The Four Just Men” – Sequela de 1964, desta vez com David Niven, Charles Boyer, Vittorio de Sica e Gig Young. Em qualquer delas, o trabalho de “equipa”, essencial na obra de Wallace, é substituído por ações individuais, para fazer brilhar apenas uma “estrela” por episódio e, sejamos cínicos, reduzir os custos de produção….

TEATRO

  • “On The Spot” – 1930.

Carlos Macedo

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