África do Sul: Bairro de portugueses atacado no sul de Joanesburgo

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Ações de violência e saques eclodiram no bairro de Regents Park, sul de Joanesburgo, onde residem pelo menos 300 portugueses, disse hoje o conselheiro José Luís da Silva à Lusa.

Os incidentes ocorreram na madrugada do dia de hoje, na Victoria Street, área residencial onde vive um número significativo de portugueses oriundos da ilha da Madeira e operam também vários negócios, explicou o conselheiro da diáspora madeirense, em Joanesburgo.

“É uma área com um número significativo de portugueses. Há apenas a registar uma tentativa de assalto à residência de uma portuguesa que foi abortada com a chegada da polícia, mas a pessoa encontra-se bem”, referiu José Luís da Silva.

O conselheiro madeirense salientou que a Pastelaria Belém, em Regents Park, encerrou o estabelecimento por razões segurança.

José Luísa da Silva acrescentou que o governo da Região Autónoma da Madeira “está em contacto permanente, informados sobre a situação” no terreno.

“O diretor regional das Relações Externas e Comunidades Madeirenses, Rui de Abreu, assim como o Dr. Sancho Gomes, têm feito nos últimos dias contactos pontuais a diversas horas do dia para se inteirarem desta situação”, salientou.

A violência que atingiu a África do Sul por mais de uma semana, causou pelo menos 212 mortos e mais de 2.550 detenções, segundo a presidência sul-africana.

Na área urbana de Joanesburgo, as autoridades sul-africanas contabilizaram até sexta-feira mais seis mortes, elevando para 32 o número total de vítimas na província, e foram detidas mais 137 pessoas, o que totaliza 862 detenções em Gauteng.

Durante vários dias, armazéns, fábricas e centros comerciais em Kwazulu-Natal (Leste) e na capital económica, Joanesburgo, e em Pretória, capital do país, foram alvo de pilhagens e destruição, entre os quais pelo menos uma centena de grandes negócios de portugueses.

Estima-se que vivam cerca de 450.000 portugueses e lusodescendentes na África do Sul, dos quais pelo menos 200 mil em Joanesburgo e Gauteng, e 20.000 no KwaZulu-Natal – as regiões do país mais afetadas, mas segundo os conselheiros da diáspora madeirense no país não há cidadãos nacionais entre as vítimas.

O Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, afirmou na noite de sexta-feira que aqueles que orquestraram as ações de violência no país, nos últimos oito dias, procuraram instigar uma “insurreição popular”, depois da detenção do ex-Presidente Jacob Zuma, por desrespeito ao Tribunal Constitucional.

Segundo o governo, a polícia está a investigar 12 pessoas suspeitas de estarem por trás da onda de violência, tendo um deles já sido preso e “a vigilância reforçada para os outros 11”.

A fundação do ex-presidente sul-africano, Thabo Mbeki, disse, em comunicado divulgado hoje na imprensa local, que a África do Sul está “a colher os frutos amargos de uma insurgência contra-revolucionária que há muito tempo germina nas entranhas da captura do Estado”.

Mbeki, de 79 anos, segundo presidente da África do Sul pós-apartheid, foi obrigado a renunciar ao cargo pelo partido no poder, o Congresso Nacional Africano (ANC, na sigla em inglês) – meses antes de terminar o segundo mandato em 2008 -, por “interferência” no Ministério Público, incluindo no julgamento de Jacob Zuma por corrupção.

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