Dupond & Dupont e o elevador de S. Bento

Em Opinião

Quem me está a ler, deve recordar-se de Dupond e Dupont, os criadores da primeira PPPP que Santarém acolheu e cujo primeiro grande projeto está em vias de ficar pronto e albergar, para além dos próprios, mais quatro agregados familiares. Supõe-se que poderão ser refugiados ou outras famílias igualmente necessitadas, mas isso ficará ao critério destes dois grandes filantropos. Todos confiamos que a sua religiosidade e o seu desapego pelos bens materiais e terrenos, podem fazer daquele investimento um centro de apoio aos mais desfavorecidos.

Atrás desta grande obra, que irá ser a montra de uma arquitetura “avant-garde” e orgulho dos moradores do bonito bairro de S. Bento, mas também de todos os scalabitanos, outra realização se perfila no horizonte, dando corpo a mais uma grande iniciativa destes dois intrépidos empreendedores, cuja criatividade e arrojo hão de ficar para sempre imortalizados nas obras que assinaram e que tão úteis têm sido para os munícipes de Santarém. (Estou-me a lembrar do estádio e da pista de atletismo, da grande sala de espetáculos, da biblioteca municipal, do museu da cidade e de outros, que também (não) foram executados durante estes três últimos mandatos camarários, exceptuando a instalação do tapete verde no campo de futebol da Ribeira e a Piscina-Praia do Tejo, que as águas logo levaram na primeira cheia…).

A Estratégia, a Visão, o Arrojo!

Pois não é que agora está na calha a ideia da construção de um ascensor entre o Bairro de S. Bento e a Estação da CP na Ribeira? É verdade. E roam-se de inveja os costumeiros críticos e maldizentes que por aí pululam. Todos calados e esmagados por uma proposta de tal alcance político e urbanístico.

Como se pode criticar tamanha criatividade e visão? Uma obra que vai resolver os principais problemas de mobilidade dos utilizadores da ferrovia que terão no planalto a solução para os problemas de acesso e de estacionamento que diariamente encontram para chegar à Estação.

Os moradores de S. Domingos ou do Sacapeito, que são as zonas habitacionais de Santarém mais importantes e onde vive grande parte dos utilizadores do comboio, verão facilitada a sua vida, pois ao invés de apanharem o autocarro direto para a Estação, podem ter um outro que os vai levar ao elevador, onde iniciarão a descida para o destino, com a grande vantagem de desfrutar daquela linda vista para a Ribeira, o Tejo e a Lezíria. Claro que poderão sempre utilizar viatura própria. Aí os benefícios são ainda mais notórios: em vez de rumarem diretamente à Estação, onde se teriam de preocupar com o estacionamento, terão a grande vantagem de estacionar a viatura em parque que, mais uma vez, a grande imaginação dos empreendedores irá tentar (?) construir junto do depósito da água, ou lá perto. Depois é só desfrutar a descida…

Santarém: um exemplo de planeamento urbanístico e de mobilidade urbana

Mas, para além dos grandes ganhos de mobilidade para a cidade que atrás ficaram descritos, aquele elevador será também um enorme serviço que vai ser prestado aos moradores de S. Bento, pois que nunca imaginaram ter junto às suas casas um equipamento que tanta falta lhes tem feito e pelo qual se vêm batendo há décadas.

Estes empreendedores, Dupond na Câmara e Dupont nas Águas, merecem, de facto, o reconhecimento das gentes de Santarém por esta grande iniciativa que vai tirar Santarém do anonimato e da irrelevância nacional, tornando esta, que já foi a capital do Ribatejo, um caso de estudo nas áreas do planeamento urbanístico e da mobilidade urbana, a serem tema curricular em muitas universidades do País e, quiçá, do estrangeiro.

Nota de rodapé: Não está totalmente ainda confirmado, mas o espírito empreendedor das elites scalabitanas não termina aqui, podendo vir aí a instalação de uma passadeira rolante entre o tal condomínio fechado e o tal elevador maravilha.

Isso sim, era obra. A cereja no topo do bolo!

Manuel Rezinga

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