Todos iguais… todos diferentes… (áudio)

Em Opinião

Em todas as famílias existem elementos que têm o dom de afetar a nossa disposição e o nosso humor. Este é um pensamento já com 2 anos do psicólogo clínico Vítor Rodrigues, mas que obviamente continua muito atual.

Mas eu generalizava estas bem-humoradas e bem apanhadas ideias a toda a nossa sociedade, às pessoas em geral e não somente às famílias em si.

E como não podemos pura e simplesmente afastar e ignorar estas pessoas que nos circundam, e ainda bem, o melhor mesmo é saber lidar com elas. Como diz o provérbio, “se não podes vencê-los, junta-te a eles”!…

Vamos então analisar nove personagens tipo:

1ª – O bonzinho

Tenta sempre conciliar toda a gente, mas faz-se de vítima quando as coisas não lhe correm como previsto. Fica sempre muito surpreendido e magoado quando alguém perde a paciência com ele. Mas na minha opinião esta personagem deve-se decompor em duas distintas: a que só quer mesmo conciliar e a que só se faz mesmo de vítima…

2ª – O perfeito

É bom em tudo. Tem um bom emprego, faz desporto, toca música… Há o perfeito pedante e o não pedante. Se o for, o melhor é “reconhecermos” a nossa inferioridade e imperfeição humana e não tentar competir com tanta sumidade. Com o não pedante, o melhor é agirmos naturalmente, assumindo-nos como somos, com todos os defeitos e virtudes – todos as temos.

3ª – O intriguista

Diz mal de toda a gente e não hesita em deixar no ar dúvidas em relação ao comportamento das outras pessoas. Tem de se interrogá-lo direta e detalhadamente sobre quando, como, onde e com que meios obteve as informações em que se baseia. Deve-se perceber qual é o interesse dele em levantar tais dúvidas ou fazer insinuações e, por muito que até se goste de “cortar na casaca” dos outros, nunca entrar no jogo da maledicência, nem deitar achas para a fogueira.

4ª – O invejoso

Tem inveja do trabalho dos outros, do carro dos outros, da casa de férias e das roupas dos outros, de tudo… Nunca está contente com o que tem e culpa todos pela sua infelicidade. Não se deve ajudá-lo a ser destrutivo, pois isso é muitas vezes contagioso…

5ª – O controlador

Quer saber tudo e dá opiniões sobre tudo, telefona a saber onde estamos, com quem, a fazer o quê, a que horas chegamos e por aí fora…

 Gera uma atitude defensiva e/ou agressiva nos outros e contribui para que se fique com vontade de fugir para longe dele. Nunca se lhe contar muita coisa nem demonstrar que se tem qualquer obrigação de lhe prestar contas da vida.

6ª – O interesseiro

Só se aproxima quando acha que pode ganhar alguma coisa com isso, por pouco que seja. Aprender a lidar com ele sem lhe dar o que ele quer é essencial. Tem de se saber dizer-lhe não, sem sentimentos de culpa.

7ª – O paraquedista

Aparece quando menos esperamos e nunca mais despega. Deve-se deixar claro que não se estava a contar com ele e afirmar o direito à privacidade de cada um.

8ª – O avarento

Nunca quer ir almoçar ou jantar fora para não gastar e, quando vai, usa todos os estratagemas para não pagar. Só dá prendas quando não consegue escapar. Nunca deixar que se aproveite! Nunca lhe pagar as despesas. Se se o fizer, mesmo que por uma só vez, vai passar a pôr-se sempre a jeito. Parece-me que acaba por se misturar um pouco com a personagem do Interesseiro.

9ª – O embirrante

Monopoliza a televisão num canal que não interessa a mais ninguém, não partilha o jornal, não empresta o telemóvel e não faz um esforçozinho sequer para participar nas conversas ou para agradar aos outros. E critica tudo. Entrar em conflito ainda é pior. Mas também não se lhe pode dar apoio.

Certamente que foi imaginando e revendo alguns dos seus amigos ou conhecidos à medida que íamos falando destas personagens. Outros acumulam e aliam várias delas. Estou certo? Mas, e cada um de nós, não nos devemos autorever também nestas figuras?!

Francisco Mendes

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