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Boas surpresas de bicicleta, ou, Santarém tem tanto a aprender! (áudio)

Em Opinião
Ouça aqui a crónica de Vítor Franco

Na aproximação a Faro paro a um sinal vermelho, sim, porque as regras de trânsito também se aplicam aos ciclistas. Ao meu lado para um ciclista a sério (…) nota-se logo: magrinho, ombros de nadador, equipamento e bicicleta a sério…

Olho o sinal e vejo as horas, se chegasse rápido à estação de comboios talvez conseguisse apanhar ainda o intercidades para cima… Pergunto ao ciclista do Futebol Clube de Porto se sabe o caminho mais rápido para a CP, diz que sim e que me leva lá, pede-me para eu ficar na roda dele e lá vou eu em fila indiana tipo Volta a Portugal em Bicicleta…

Perdi o comboio por uns minutos, fico a falar com o ciclista, a cara não me era desconhecida, agradeço a boleia e ficamos à conversa. Obrigado, Daniel Mestre, não é todos os dias que sou rebocado em “fuga ao pelotão” dos minutos por um atleta de topo do ciclismo nacional…

A conversa com o Daniel foi muito interessante. Nela percebi muito melhor a importância do trabalho de equipa no ciclismo e como é um trabalho mesmo difícil…

Gostei daquele tempo à conversa e de perceber como esta compreensão da equipa se aplica a tudo na vida – até no ciclismo!

Podia-se aplicar na política autárquica, toda ela centrada na figura de uma só pessoa: o presidente. Um bom presidente só o pode ser se tiver equipa e se souber líder dessa equipa. Um líder não é um patrão. Um líder deve trabalhar cooperando, fomentar o gosto pela terra, o dinamismo da comunidade, não só dos da sua equipa como também dos adversários – é por isso que no ciclismo a formação mais comum é o pelotão: é a formação onde todos ganham.

Todos vós conheceis como muitas espécies de aves voam em “pelotão”, como muitos cardumes agem em “pelotão” para se defenderem dos predadores, como muitos animais atravessam rios para se defenderem de crocodilos…

O líder de um município ou junta de freguesia pode encarar a oposição como um predador ou como um crocodilo, poder pode, porém, sofre de visão; quem não percebe que o predador é o atraso económico e o mal-estar da população.

Quando uma ou um líder reage em negação a qualquer proposta que tenha a palavra Esquerda não está a agir como líder político, mas como líder de alcateia em exasperação. Quando ideias positivas e soluções necessárias para que a terra seja de tod@s são rejeitadas – porque na assinatura tem a palavra Esquerda – é um líder fraco. Quando as ideias positivas são aprovadas nos fóruns democráticos e competentes, e o líder se recusa a aplicá-las é um líder ditador.

Um líder deve ser a personalização da construção democrática e não a do autoritarismo. Um líder pode parecer simpático e pagar grades de minis em festas – mas o desafio é fazer da democracia uma festa que se quer vivida por tod@s!

Vítor Franco

(deputado municipal do Bloco de Esquerda)

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