Segunda-feira, Janeiro 30, 2023
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InícioLeiturasGrandes nomes da literatura de crime e mistério, por Carlos MacedoGrandes nomes da literatura de crime e mistério (23): Ben Hecht (1894-1964)
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Grandes nomes da literatura de crime e mistério (23): Ben Hecht (1894-1964)

Designado muitas vezes por génio (era, de facto, intelectualmente brilhante e é tudo) o autor do célebre “Front Page” era filho de imigrantes russos judeus.

Na pré-adolescência frequentou, por breves períodos, mas com grande eficácia, o liceu de Racine; um circo, onde aos doze anos foi acrobata; a Universidade de Wisconsin. Sempre por curtos períodos, pois era por definição, irrequieto, criativo e insatisfeito com o que a vida lhe dava.

Viaja para Chicago onde, em pouco tempo, consegue colocar-se como redator no Chicago Journal e, pouco depois, no Chicago Daily News.

Começa igualmente a colaborar com revistas literárias, como a Little Review (que ele não é homem de “descer” a escrever em pulps, a um cêntimo a palavra, como Gruber, Hammett ou Fred Brown…) e muitas outras; faz a cobertura jornalística, para o Daily News, em Berlim (acantonado no famoso Hotel Adlon) do advento do nazismo, dos diversos movimentos, tanto os revolucionários como os de de extrema-direita (1919-1923), do Spartakismo aos Freikporps (de Von Epp e Röhm).

Que lhe fornecem tema para a sua primeira (e notável) obra de ficção: “Erik Dorn”, de 1921.

Conhece George Grosz, de quem se torna amigo e vive, entre copázios de conhaque e charutos, a intensa vida de moribunda intelectualidade da esquerda alemã, antes do advento do nazismo.

Torna-se conhecido como colunista, jornalista, escritor, sobretudo de contos curtos, alguns policiais e novelista.

O projeto do “The Chicago Literary Times”, que o não envolve, deixa-o na miséria; a mudança para New York não o favorece e acaba por aceitar o convite de Herman Mankiewicz para ir viver em Hollywood, onde iria dividir o seu tempo entre a indústria cinematográfica (argumentos, direção, adaptações em scripts de obras de outros autores, etc.) e ocasionais deslocações a New York.

A sua fortuna e fama (sem falar de um ainda mais sumptuoso modo de vida) estão asseguradas.

Em 1927, inicia a “reabilitação” (como que do “anjos negros” dos mobster, dos membros de um gang, como os heróis dos filmes “negros”) com “Underworld” e “Scarface“.

Em 1928, surge a obra que o imortalizou: “The Front Page”.

O argumento/peça de teatro que apresenta, merece, do crítico Jared Harris, o qualificativo de “demoniacal, heroic, comic, sordid, insolent”, conquista um êxito inacreditável e é intrinsecamente perverso, de facto.

Dela surgiram adaptações ao cinema entre 1931 e 1988, envolvendo realizadores como Lewis Milestone, Howard Hawks, Billy Wilder e Ted Kotcheff, produtores como Howard Hughes, e actores como Adolphe Menjou, Pat O’Brian, Gary Grant, Rosalind Russell, Jack Lemmon, Walter Matthau, Kathleeen Turner, Burt Reynolds.

A história é das mais perfeitas denúncias à corrupção policial e da imprensa e à ganância e mercenarismo das hienas da comunicação social, explorando uma história de um condenado por homicídio e da sua tentativa de expor as condições da sua condenação à opinião pública.

A partir daqui, a sua fama está assegurada.

Começa a escrever argumentos para inúmeros filmes (mais de setenta), recebe um Academy Award (“The Scoundrel”, 1935) e colabora com John Ford, Hitchcock (“Foreign Correspondent”, 1940), defendendo sempre posições pró-aliadas e antinazis, antes e durante a entrada dos EUA no conflito mundial.

No plano do policial, thriller ou terror, atinge o seu apogeu em filmes como “Spellbound”, 1945, baseado na obra de Francis Beeding (“The House of Dr. Edwards”), com a colaboração, nas cenas “oníricas” do filme, de Salvador Dali; “Notorious”, de 1946, com Ingrid Bergman, baseado em Anthony Berkeley Cox; “Scarface”, 1932; “Barbary Coast”, 1935; “The Outlaw”, 1943, todos sob a batuta de Howard Hawks.

Colabora ainda (sem reconhecimento formal, por razões políticas…) em “Mark Dixon Detective”; “Paradine Case”; “Rope”; “The Outlaw”; “Soak the Rich” e “Gilda”.  

Ardente sionista, sofre retaliações, pela sua defesa emocional (financeira, jornalística, admitindo os assassinatos sionistas contra as tropas inglesas) da existência de um Estado de Israel, a qualquer preço.

Mas o que mais nos interessa é uma enorme quantidade de novelas policiais, de excelente qualidade, assim como quatro romances: “The Florentine Dagger”, de 1923; “Count Bruga”, de 1926; “I Hate Actors! / Hollywood Mystery”, 1944/6”; “The Sensualists”, 1959.

O forte de Hecht são as novelas curtas, com um tempo e uma originalidade de desenlace dos enredos verdadeiramente notáveis….

Crime without passion”, de 1934, ou “All He Ever Loved”, 1935 são disso um bom exemplo. Em 1954, numa autobiografia (“A Child of the Century“) defende o conto curto, onde se salientam os verdadeiramente bons…

Morreu de um ataque cardíaco, quando a sua originalidade literária (tratada a álcool, estrelinhas estreantes de Hollywood e excesso de tabaco) já se tinha extinguido também…

Como, ao que parece, todos os grandes do policial black mask que Hollywood comprou, de Hammett a Chandler.

Obras do foro da literatura de crime e mistério:

  • The Florentine Dagger”, 1923;
  • Count Bruga”, 1926;
  • I Hate Actors! / Hollywood Mystery”, 1944/6”;
  • The Sensualists”, 1959

Carlos Macedo

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