Segunda-feira, Fevereiro 6, 2023
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Grandes nomes da literatura de crime e mistério (28): Peter Cheyney, de nome completo Reginald Evelyn Peter Southhouse Cheyney (1896-1951)

Nasceu em Londres,1896; morreu na mesma cidade, em 1951.

O que Cheyney trouxe ao romance policial, foi tudo o que a vida sempre lhe recusou”, disseram dele, com razão, Boileau-Narcejac.

É a pura verdade.

Peter Cheyney

Era um homem profundamente inseguro, que compensava os seus complexos de inferioridade, agindo como um mitómano (patológico?). Creio, sem o poder provar, que, de facto, assim foi.

Foi um herói na I Guerra Mundial, ferido três vezes, citado um sem número de vezes (capitão aos dezanove anos?). Ou, na verdade, um obscuro subtenente da Intendência Militar, tudo fazendo para não ser mobilizado para o “front”? Foi um brilhante detetive privado da “cant” britânica? Ou, de facto, um mísero agente auxiliar da polícia?

Apesar dos biombos de fatos vistosos, requintes excessivos a fumar e beber em público, sabe-se que, não obstante o seu irritante bigode à Errol Flynn, foi, de início, um obscuro aprendiz de notário que, após estudos mais do que medíocres, tentou, sem sucesso, ser ator, em 1913.

Imediatamente antes da Guerra (1914-18) publica alguns sketches, poemas (“Poems of Love and War“) e versos de canções, um conto (“Tomorrow“). E em 1920, consegue vender um conto de ficção científica ao editor francês Ferenczi (“Le Rayon qui Tue“).

Como judiciosamente salienta Roger Nimier, ainda muito jovem, tenta, com desespero, ser versátil e inovar o romance policial, enxertando-o com o romance de aventuras com classe, criando tipos completamente diferentes de “heróis”…o que, mesmo assim, não lhe dá para viver.

Torna-se “agente de apostas” (“bookmaker”) em 1922.

No terrível ano de 1926, conhecidas que são as suas opiniões racistas e ultraconservadoras, é “mobilizado” como “fura-greves”, numa espécie de milícia precária “especial”. Depois, acabado o “maná” com o fim da greve, funda uma agência de detetives privados com um sócio (o ex-Inspetor-Chefe Harold Burst), antigo guarda-costas de “personalidades”.

Em 1936, lança por fim o seu primeiro policial… 

Com os romances de espionagem (durante a guerra), todos com “DARK” no título, consegue talvez criar as melhores das suas obras…

Dum modo geral podemos caracterizar o seu herói como um guerreiro que nunca aceita ser derrotado, machista, sádico, cínico, mas incansável na defesa da ordem e da lei, contra espiões, gangsters, traficantes (gente inferior: metecos não britânicos).

Em resumo: deu vida a dois notáveis malandros.

Lemmy Caution, agente famoso (um semideus, claro, como ele…) do United States Bureau of Investigation (Federal), que conduz os inquéritos que lhe são confiados da maneira menos ortodoxa imaginável. Fortalecido com copiosos haréns de mulherões e doses monumentais de whisky, para o manter em forma.

Enfatuado e descontraído, amigo da pancadaria, narra as aventuras em primeira pessoa, com muita autocomplacência e algum sentido de humor….

Slim Callaghan é um detetive privado londrino. De um cinismo e uma falta de princípios morais sem paralelo (mesmo se o compararmos com Caution, nada flor que se cheire…), rápido no gatilho, falsificando provas e enganando os pobres polícias da Scotland Yard.

O seu machismo e as suas filosofias de pub de terceira (infelizmente) farão escola.

No cinema, a figura de Eddie Constantine como Lemmy Caution e Tony Wright, como Callaghan, são angelicais, comparadas aos “heróis de papel” que Cheyney descreveu nos seus livros.

Mas o seu melhor, sem reserva mental, está nos romances da espionagem em “tempo de guerra” (1939-1945).

E aqui, falando de equipa de espiões que concebe, temos talvez mais do que “heróis de papelão”.

Apresenta-nos personagens mais simpáticas, mais ligadas à realidade: o chefe dos “Secret Services”, Peter Quayle, a sua equipa de elite (Ernest Guelvada; Shaun O’Mara, Kiernan e Greeley, Alonzo McTavish), sempre dispostos, sem alarde, mas com inverosímeis quantidades de álcool, a sacrificar a vida pela paz no mundo, a derrota do nazismo e a procura da justiça num mundo enlouquecido pela guerra.

As suas ultra minuciosas (seria fetichista?) descrições do vestuário das “heroínas” e dos “heróis”, durante páginas e páginas, atinge o patológico…

Mesmo assim, tenho-o como percursor, nos anos de guerra, de algumas tendências do policial (espionagem) que, dez anos mais tarde, desabrocharão em obras de muito superior craveira literária e imaginativa, de Ambler a John Le Carré, de Forsyth a Ian Deighton…

Carlos Macedo

OBRAS PUBLICADAS

  • THIS MAN IS DANGEROUS, 1936
  • POISON IVY, 1937
  • DAMES DON’T CARE!, 1937
  • CAN LADIES KILL? 1938
  • THE URGENT HANGMAN, 1938
  • DON’T GET ME WRONG, 1939
  • DANGEROUS CURVES, 1939
  • YOU’D BE SURPRISED, 1940
  • YOU CAN’T KEEP THE CHANGE, 1940
  • ANOTHER LITTLE DRINK, 1940
  • IT COULDN’T MATTER LESS, 1941
  • YOUR DEAL, MY LOVELY, 1941
  • SORRY YOU HAVE BEEN TROUBLED, 1942
  • NEVER A DULL MOMENT, 1942
  • DARK DUET, 1942
  • THE STARS ARE DARK, 1943
  • YOU CAN ALWAYS DUCK, 1943
  • -THEY NEVER SAY WHEN, 1944
  • THE DARK STREET, 1944
  • SINISTER ERRAND, 1944
  • DANCE WITHOUT MUSIC, 1945
  • I’LL SAY SHE DOES! 1945
  • UNEASY TERMS, 1946
  • DARK HERO, 1946
  • DARK INTERLUDE, 1947
  • THE CURIOSITY OF ETIENNE MCGREGOR, 1947
  • TRY ANYTHING TWICE, 1948
  • DARK WANTON, 1948
  • YOU CAN CALL IT A DAY, 1949
  • ONE OF THIS THINGS, 1949
  • LADY BEHAVE!, 1950
  • -DARK BAHAMA, 1950
  • LADIES WON’T WAIT, 1951
  • DRESSED TO KILL, 1952
  • MEET MR. CALAGHAN, 1952

CONTOS CURTOS

  • LADY IN GREEN, 1937
  • KNAVE TAKES QUEEN, 1939
  • MAKING CRIME PAY, 1944
  • G-MAN AT THE YARD, 1946
  • NO ORDINARY CHEYNEY, 1948
  • MR. CAUTION, MR. CALLAGHAN, 1948
  • VELVET JOHNNIE AND OTHER STORIES, 1952
  • A SQUARE DEAL, 1952
  • ALLONS-Y, ALONZO, 1953
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