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Grandes nomes da literatura de crime e mistério (29): S. S. Van Dine, pseudónimo de Willard Huntington Wright (1888-1939)

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Norte-americano, nascido em Charlottesville, Virgínia, em 15 de outubro de 1888 e falecido em 1939, em Nova Iorque.

O seu verdadeiro campo (a que se deveria talvez ter confinado…) era a História de Arte, de que fala a propósito (em geral, a despropósito), em quase todos os seus livros.

Imagens de filmes baseados em obras de S. S. Van Dine

Oriundo de uma família de meios, estuda em Harvard, a que se seguem Paris e Munique.

Publica livros sobre história de arte e é crítico literário do “Los Angeles Times” e chefe de redação do “Smart Set”, autor de numerosos artigos onde defende as teorias de Oscar Wilde, da “arte pela arte”, e se afirma como um feroz adversário da democracia.

Partidário das teorias de F. Nietzsche e germanófilo, defende a escola “sincronista” de pintura, fundada por seu irmão (Stanton Wright), o elitismo racial, as ideias de Huston Stewart Chamberlain, Strindberg e Ezra Pound.

Mais extrema-direita, mesmo à época, era difícil.

Imagens de filmes baseados em obras de S. S. Van Dine

Do romance policial escreve então (antes de 1917) que “todos eles são necessariamente maus. Fazem apelo aos instintos mais primitivos que existem em nós”.

Um dia, lutando com graves problemas financeiros, vítima de uma doença que se prolonga e que o obriga à reclusão forçada (na cama), lê, melhor, devora inúmeros romances policiais.

Acaba por achar que é fácil escrevê-los e inicia a sua atividade neste campo, protegido por um pseudónimo: Van Dine, apelido de parentes afastados e S. S. (Steam Ship!). Escolhe um título-bilhete de identidade, como Ellery Queen, na sua primeira fase.

Para Van Dine será “…MURDER CASE”.

Surgirão, entre 1926 e 1939, doze deles. O segundo, “The Canary Murder Case”, merecerá rápida adaptação cinematográfica (o que acontecerá a vários outros) que o tornará em breve célebre (e até mais popular que Queen ou Hammett).

O que constitui um péssimo bilhete de visita (sociológico e cultural) da classe média norte-americana.

Examinemos o penoso percurso de Van Dine, a partir da publicação, em 1926, de “The Benson Murder Case”.

Com uma advertência prévia.

Hoje, a leitura, mesmo das obras consideradas em geral as melhores que escreveu, constitui um cansativo e penoso sacrifício que nos impomos.

A monotonia e pobreza do estilo, a ingénua tentativa de dar aos seus livros, o estilo de dossier policial científico, tornaram os sofisticados enigmas que aí nos apresenta, quase ilegíveis.

O detective amador Philo Vance, seu herói de eleição, (e com muita concorrência, já nessa época…) é o mais paternalístico, snob e pedante narciso, que jamais se viu.

Vive como um Gatsby assexuado, cita enfadadas tiradas eduardianas (que fariam rir William James) e comporta-se (como fantoche a duas dimensões que é) como um manual de perfeito cavalheiro educado, escrito pela Bobone.

Esteta ricaço e langoroso, humilha constantemente o seu amigo, Markham, do Ministério Público e trata o seu secretário-relator-Watson (e amigo fiel) como um cão. Van Dine, escravo gaulês por opção pessoal.

Usando ainda de uma displicência cínica com parentes e amigos dos assassinados que, na vida real, lhe fariam andar sempre de olhos negros e sem alguns dentes…

O enredo, um soporífero itinerário para um mistério que cedo deixou de nos interessar, um elaborado (e muitas vezes muito inteligente, sem lugar a dúvidas) artificioso exercício de dedução abstracta, com personagens de sombras chinesas.

O seu estilo, artificial e monocórdico, faz-nos crer que, igual ou melhor que Van Dine, imaginam e escrevem sobre crimes, centenas de milhares de obscuros funcionários públicos, empregados bancários ou dos Correios, agrupados em clubes de “charadas policiais”, sob os esclarecedores pseudónimos de “Inspector X”, “O Santo”, “Mandrake” ou “Sherlock Holmes” …

O criminoso, para Van Dine, é um (ou uma) pedante atoleimado (mas maquiavélico) que, cansado do torneio de “bridge” semanal ou de elaborar complexos esquemas em tabuleiros de xadrez, resolve, para variar, assassinar o tio Cyrus ou a avó Samantha (ou ambos, com pertinaz solicitude) e, de caminho, desafiar para um leal duelo de inteligências, o peralvilho apreciador de porcelanas Ming, que faz citações em latim, o super alerta Philo Vance, “gentleman of leisure” …

Que, aliás, considera que “o crime se funda nos factores fundamentais de génese de uma obra de arte…”.

Philo, hypostasis de Willard Huntington Wright…

Não admira, pois, que a obra de Van Dine se tenha tornado cinzenta, redundante, quase impossível de ler (em contraste com a eterna popularidade e carinho do público leitor por escritores considerados na época de terceira classe, os “popularuchos” Edgar Wallace, David Hume, Sidney Horler, Jean Ray, Sax Rohmer).

Aplica-se-lhe, mais do que a qualquer dos grandes nomes da literatura de enigma e mistério, a classificação saborosa de Julian Symons, que designava escritores desse tipo como membros da Humdrum School, sinónimo de maçador, gerador de inapagável tédio (ou sono…).

A investigação baça, sem interesse humano, duma artificialidade gritante, nos livros de Van Dine, merece bem esse qualificativo.

Apesar da sua busca frenética de sucesso, no cruel mundo dos EUA nos “twenties” (chega a escrever um policial, “The Winter Murder Case”, como promoção da nova superstar da Fox, a patinadora Sonja Henie…), morre alcoólico, desencantado e sem saber ainda, nos anos terríveis do advento dos fascismos, a que valores se agarrar…

Sem o saber seguramente (não frequentavam os mesmos círculos sociais), seguindo, nesse aspecto, o patético percurso político, dois anos antes, de um (esse, sim) grande escritor de fantástico: Howard Philips Lovecraft.

Diz Dine, em 1926, que as “suas regras” constituiriam uma “espécie de credo”, dado que o policial, “sendo um pouco um jogo intelectual” era também “um evento desportivo” …, submetido a leis “há muito definidas, mas nem por isso menos restritivas para o Autor respeitável e que se respeite”.

Aliás, para não irmos mais longe, em “The Gracie Allen Murder Case”, viola, com uma absurda construção de passagens e portas do andar superior do Café Domdaniel, uma das suas regras dogmáticas: a de não usar o truque das passagens secretas…

Diga-se em verdade, que nunca nenhum escritor de renome as levou a sério, a não ser para as meter a ridículo…

No entanto, para terminar, o percurso da obra literária de Van Dine oferece a alguns (poucos) aspectos de mérito.

Para os que leram os seus livros, poucos anos depois de os ter escrito, leitores, analistas e críticos porventura menos sofisticados do que nós (e com muito menos que escolher nas livrarias ou cinemas), idealizando Philo Vance como um William Powell (que o personificou no cinema).

Para as que sonhavam com um Vance/Van Dine, adoçado no sarcasmo, cavalheiresco com as damas (veja-se a sua corte adolescente trovadoresca à atrasada mental Gracie Allen, no romance atrás referido), imperturbável perante os perigos, gigante intelectual no seu raciocínio abstracto aos desafios dos criminosos mais diabólicos (por vezes não por necessidade mas, parece, caramba, por puro deleite intelectual… de terçar armas com Vance).

Para os que se deleitam com um desenrolar da trama da malfeitoria, não baseado em delações, asneiras ou erros do criminoso, mas em diminutos lapsos, que exigem génio de quem os descortina (Vance, pois claro!!!!).

Van Dine tem uma qualidade ou melhor, uma convicção: realça (penso que com inteira sinceridade) a genialidade do pensamento humano para gerar (ou resolver) charadas.

Van Dine foi um percursor (inovou muito mais, por exemplo, que o seu contemporâneo Ellery Queen, nos enredos e soluções) do policial-charada, do “whodunnit”, puro e duro, e esse crédito ninguém lho regateará.

E há crimes nos seus livros, que nesse aspecto, são de uma refinada sofisticação e completamente inéditos, ainda hoje citados e, porque não dizê-lo, plagiados.

Só que no mundo de bootleggers e Al Capones, hired killers e G-Men, grande Depressão e westerns, em que existiu também o nosso amador de porcelanas chinesas, ninguém os iria cometer.

E mesmo os amadores da dedução pura ainda leem e releem, com prazer, Ellery Queen, apesar dos seus (numerosos) defeitos. Duvido que o mesmo aconteça com este Autor.

Falemos ainda dos Canónicos preceitos que inventou. Passemos a enunciar as vinte regras dogmáticas do cavalheiro, comentando-as, com o devido respeito.

PRIMEIRA

O Leitor deve ter sempre uma oportunidade igual à do detective para resolver o mistério. Todas as pistas devem ser claramente descritas e mostradas.[1]

SEGUNDA

Nenhum truque ou engodo deve ser estendido ao Leitor, para além daqueles que legitimamente forem lançados pelo criminoso ao próprio detective.[2]

TERCEIRA

Não deverá haver uma intriga amorosa. No caso em apreço, interessa somente levar o criminoso ao tribunal, não acompanhar um casal apaixonado ao altar. [3]

QUARTA

O próprio detective ou qualquer outro membro da equipa de investigação não deve nunca surgir como culpado. Isso seria um truque baixo, como enganar uma criança, levando-a a trocar a sua moeda de cinco dólares por um penny rebrilhante, sob falsos pretextos.[4]

QUINTA

O culpado deve ser detectado por meio de deduções lógicas. Nunca por acidente, coincidência ou uma confissão sem motivo. Resolver um mistério por qualquer destes meios é um pouco como enviar o leitor numa “caça” aos gambuzinos e depois dizer-lhe, quando falhou, que se teve sempre o “ás” na manga… [5]

SEXTA

Uma história policial deve ter sempre um detective. E um detective não o é, se não detectar. E se não tira as suas conclusões por meio de provas e pistas, então é um menino de escola que passa em aritmética, perguntando ou copiando dos colegas.[6]

SÉTIMA

Deve existir obrigatoriamente um cadáver numa história policial e quanto mais morto o cadáver, melhor. [7]

OITAVA

O problema posto pelo crime deve ser resolvido por meios estritamente naturais. Métodos como escrita secreta, leitura de folhes de chá, telepatia, ciências espiritualistas, bolas de cristal e outros que tais, devem ser considerados tabu. O leitor tem uma “chance” quando confronta as suas capacidades com as de um detective raciocinante. Mas, devendo confrontar-se com o mundo dos espíritos ou empreender uma perseguição na quarta dimensão da metafísica, está derrotado “ab initio”.[8]

NONA

Deve haver apenas um e só um detective – isto é, apenas um protagonista da dedução – um Deus Ex Machina. Juntar as mentes de três ou quatro, ou por vezes de um bando de detectives para a consideração de um problema é, não somente dispersar o interesse e quebrar a teia direta da lógica como, sobretudo, ter uma vantagem injusta sobre o leitor. Se há mais do que um detective, o leitor não sabe quem é o seu “co-dedutor”. É como fazer com que o leitor dispute uma corrida contra uma equipa de estafetas.[9]

DÉCIMA

O culpado deve vir a ser uma pessoa que tenha desempenhado um papel mais ou menos proeminente na aventura, ou seja, deve ser uma pessoa familiar ao leitor e por quem este tenha algum interesse. Um criado não deve ser escolhido pelo escritor como culpado. Isto seria “vagabundear” uma causa nobre. É uma solução demasiado fácil. O culpado deve ser, decididamente, uma pessoa que valha a pena, uma pessoa que ordinariamente não fosse colocada sob suspeita.[10]

DÉCIMA PRIMEIRA

Um mordomo não deve ser escolhido pelo escritor como culpado. Isto seria vagabundear uma causa nobre. É uma solução demasiado fácil. O culpado deve ser, decididamente, uma pessoa que valha a pena, uma pessoa que ordinariamente não fosse colocada sob suspeita. [11]

DÉCIMA SEGUNDA

Deve existir um e só um culpado, independentemente de quantos homicídios tenham sido cometidos. O culpado pode, é certo, ter um ajudante ou cúmplice de menor importância, mas o ónus deve recair apenas sobre um par de ombros. Deve permitir-se que toda a indignação do leitor se concentre numa única natureza negra.[12]

DÉCIMA TERCEIRA

Sociedades secretas, Camorras, Máfias, etc., não deverão ter lugar numa história de detectives. Um fascinante e verdadeiramente belo homicídio é imediatamente deturpado por uma culpabilidade por “atacado”. Por via das dúvidas, a um culpado, numa história de detetives, deve ser dada uma hipótese desportiva (de se “safar” …), mas é por certo demais dar-lhe toda uma sociedade secreta atrás da qual se possa esconder. Nenhum assassino de alta classe que se preze, aceitaria estas probabilidades.[13]

DÉCIMA QUARTA

O método do assassinato (e a forma de o desvendar) devem ser racionais e científicos. Quer isto dizer que pseudociências e estratagemas especulativos, ou meramente imaginários, não deverão ser tolerados num romance policial. Uma vez que o autor se eleve para o reino da fantasia, à maneira de Jules Verne, encontra-se fora das barreiras da ficção detectivesca, navegando as inexploradas imensidões da aventura.[14]

DÉCIMA QUINTA

A solução do problema deve estar constantemente aparente, dependendo, é claro, de que o leitor seja suficientemente perspicaz para a entrever. Quer isto dizer que o leitor, depois de saber a explicação do crime, caso relesse o livro, seria capaz de perceber que a solução o tinha estado sempre a olhar nos olhos, por assim dizer, que todas as pistas indicavam de facto o culpado e que, se tivesse sido tão inteligente como o detective, poderia ter resolvido o mistério ele mesmo sem ter necessidade de seguir até ao último capítulo. Que muito bom leitor resolve amiúde desta forma alguns mistérios, é uma verdade sem discussão.[15]

DÉCIMA SEXTA

O romance não deverá conter longas passagens descritivas, nenhum rendilhado literário que revogue para segundo plano a história central; nenhuma subtil e detalhada análise de personagens, nenhuma preocupação de criar “atmosfera”. Assuntos como estes não têm relevância vital num relato de crime e dedução. Atrasam a ação e introduzem temas irrelevantes para o propósito principal, que é a apresentação de um problema, a sua análise e posterior conclusão bem sucedida. A notar que deverá haver apenas a suficiente descrição e delineação de caracteres, para garantir a verosimilhança do romance.[16]

DÉCIMA SÉTIMA

Um criminoso profissional não deverá arcar nunca com as culpas de um crime, numa história de detectives. Crimes cometidos por assaltantes e bandidos ocorrem na vizinhança dos departamentos de polícia, não de autores ou de brilhantes detectives amadores. O crime realmente fascinante é o que for cometido por um pilar da Igreja ou por uma “Lady”, famosa pelas suas obras de caridade[17]. 

total. Se não podem cometer crimes (segundo Van Dine), como poderiam, aos olhos deste, para cúmulo, surgir a resolvê-los, ou meramente, a corrigir injustiças?

DÉCIMA OITAVA

O crime, numa história de detectives, não deve vir a descobrir-se que tenha sido acidente ou suicídio. Concluir uma odisseia de detecção com um tal anticlímax é insultar o leitor confiante e de bom coração.  [18]

DÉCIMA NONA

Os motivos para todos os crimes ocorridos nas histórias de detectives devem ser de natureza pessoal.

Intrigas internacionais ou políticas de guerra pertencem a uma diferente categoria de ficção – à espionagem, por exemplo. Mas uma história policial deve permanecer Gemütlich, por assim dizer.

Deve refletir as vivências quotidianas do leitor, permitindo-lhe dar uma certa vazão aos seus desejos reprimidos e emoções. [19]

VIGÉSIMA

E (para dar ao meu credo um número certo de regras) passo a listar alguns dos processos de que nenhum autor de histórias de detectives que se preze deverá valer-se. Foram empregues demasiadas vezes ou são familiares aos verdadeiros amantes de histórias de crime e mistério. Usá-los é a confissão da inépcia do autor, bem como da sua falta de originalidade.

A) Determinar a identidade de um culpado pela comparação da marca de cigarros encontrada na cena do crime com os que certo suspeito fuma.

B) A famosa tramoia da encenação sobrenatural que leva o culpado a denunciar-se.

C) Impressões digitais falsificadas.

D) O álibi do boneco na contraluz.

E) O cão, que não ladrando, denuncia que o intruso lhe é familiar.

F) A atribuição final do crime a um gémeo, ou a um aparente sósia do suspeito.

G) A seringa hipodérmica ou os soníferos.

H) O cometimento de um crime num quarto fechado, após a entrada da polícia.

I)O teste da associação de palavras na atribuição da culpa.

J) A cifra, ou carta em código eventualmente descoberta pelo detective. [20]

Carlos Macedo

OBRAS PUBLICADAS

  • THE BENSON MURDER CASE. 1926
  • THE CANARY MURDER CASE. 1927
  • THE GREENE MURDER CASE. 1928
  • THE BISHOP MURDER CASE. 1929
  • THE SCARAB MURDER CASE. 1930
  • THE KENNEL MURDER CASE. 1931
  • THE DRAGON MURDER CASE. 1933
  • THE CASINO MURDER CASE. 1934
  • THE KIDNAP MURDER CASE. 1936
  • THE GARDEN MURDER CASE. 1937
  • THE GRACIE ALLEN MURDER CASE. 1938
  • THE WINTER MURDER CASE. 1939.

[1] COMENTÁRIO

11. Não deve ser? Porque são indignos de matar membros de “classes superiores”? Ou porque lhe poderiam começar a tomar o gosto? E “serviçais” não são pessoas que “valham a pena”. “Criados” são (“a contrario sensu”) pessoas “ordinariamente” colocadas sob suspeita.

Não vale a pena perder mais tempo. Demasiado acaciano. Extraordinários romances policiais (certamente muito melhores que o melhor de S. S. Van Dine), basearam-se na subversão completa desta primeira regra.

[2] COMENTÁRIO

“Legitimamente forem lançados”? Mas que raio de criminosos são estes? Árbitros de futebol?

[3] COMENTÁRIO

Ridículo. O amor foi sempre (ou quase sempre) o motor dos melhores romances policiais escritos. Por isso é tão medíocre e enfadonha a obra de Van Dine.

[4] COMENTÁRIO

Errado. Erradíssimo. Ellery Queen, no “Mistério do Ataúde Grego” encarrega-se, no imediato, de pulverizar brilhantemente a regra do compatriota, muito pouco tempo decorrido.

[5] COMENTÁRIO

Infelizmente um sem-número de brilhantes histórias policiais vieram deitar completamente por terra esta regrazita…Lembram-se de ROY VICKERS?

[6] COMENTÁRIO

Porquê? Algumas das melhores histórias policiais relatam mistérios resolvidos por crianças, solteironas de província, professoras primárias retiradas, gatos, cavalos e até padres católicos…

[7]  COMENTÁRIO

Nonsense. Que maravilhosas histórias de roubos, fraudes, burlas temos, a começar em Agatha Christie e a acabar em P. Lovesey e Michael Innes.

[8] COMENTÁRIO

Sleep Lightly”, PIERRE SINIAC, “Monsieur Cauchemar” ou FRED SABERHAGEN, “The Holmes-Dracula File” não podiam ter lido (ou se leram, marimbaram-se…) o famoso Canon de Van Dine. Perfeita patetice. Felizmente WASHINGTON IRVING, quando escreveu “The Legend Of Sleepy Hollow”, WILLIAM HOPE HODGSON, “Carnacki, The Ghost-Finder”, ALGERNON BLACKWOOD, “John Silence”, JOHN DICKSON CARR, “He Who Whispers”, “The Burning Court” ou “The Dead Sleep Lightly”, PIERRE SINIAC, “Monsieur Cauchemar” ou FRED SABERHAGEN, “The Holmes-Dracula File” não podiam ter lido (ou se leram, marimbaram-se…) o famoso Canon de Van Dine.

[9] COMENTÁRIO

Completa idiotice. Em quê fica prejudicada a “equipa de estafetas” do 87ª. Distrito, de ED MAC BAIN, ou o brilho intelectual do “Alienist”, de CALEB CARR, onde os detetives são imensos (até Theodore Roosevelt!); as obras de MAJ SJÖWALL e PER WAHLÖÖ; as equipas de geometria variável das séries televisivas de maior êxito, no momento atual?

[10] COMENTÁRIO

É difícil, em tão poucas linhas, ser mais reacionário e castrador da imaginação criadora do escritor policial. Nada mais fascinante que a pesquisa de Clarisse, em “The Silence of the Lambs”, de um “Serial-Killer” de quem só sabemos um pseudónimo e o que faz (com a ajuda de outro “detetive”, o Dr. Hannibal Lecter) no fim do livro (Página 299, num livro de 352…) de THOMAS HARRIS. E porque não um “criado”? ROBERT ALTMAN ridicularizou (e bem) este conservador mesquinho, no filme “Gosford Park” …

 

[12] COMENTÁRIO

Cada regra, parece exceder a anterior, em idiotice e visão de “Deus” pseudo-moralizador. Com semelhante regra, STANISLAS-ANDRÉ-STEEMAN nunca teria escrito “L’Assassin habite au 21”. E que indignação esperar do leitor, se Holmes (ele mesmo!) absolve o Dr. Leon Sterndale, no caso do “Devil’s Foot” e a assassina do infame Charles August Milverton?

[13] COMENTÁRIO

Assim se aniquilaria uma boa parte da melhor literatura policial de todas as épocas. De Conan Doyle a James Ellroy. Este conceito de assassino “jogador de bridge de alta classe” é demasiado pateta para perdermos mais tempo.

[14] COMENTÁRIO

Repete aqui, com ligeiras “nuances”, a regra oitava. É a indivíduos como Van Dine que se deve a iníqua lenda das “paraliteraturas”, da “literatura popular, de ler e deitar fora”, das fronteiras entre “Literatura e “literaturas”. E “Crime e castigo” ou “Bleak House”, são o quê? E porquê “racionais e científicos” e não “psicológicos e intuitivos”? Simenon, F. Glauser ou Decrest estariam no desemprego. E são muito melhores que Van Dine…

[15] COMENTÁRIO

Uma coisa é o “Desafio ao Leitor” de ELLERY QUEEN ou DAVID HUME, entre tantos. Outra, inaceitável, este paternalismo arrogante.

[16] COMENTÁRIO

Poderiam existir. Heresia total. Se não podem cometer crimes (segundo Van Dine), como poderiam, aos olhos deste, para cúmulo, surgir a resolvê-los, ou meramente, a corrigir injustiças? Outro princípio desprezível e totalmente absurdo, mesmo na época em que foi escrito. Nem merece comentário.

[17] COMENTÁRIO

Tão datado que nem merece comentário. A não ser o de que Raffles (Hornung), Arsène Lupin (Leblanc), Fantômas (de P. Souvestre e Marcel Allain), ou o Santo de (Leslie Charteris), não[17]poderiam existir. Heresia total. Se não podem cometer crimes (segundo Van Dine), como poderiam, aos olhos deste, para cúmulo, surgir a resolvê-los, ou meramente, a corrigir injustiças?

[18] COMENTÁRIO

Aqui já deve existir má-fé… Leitor confiante e de bom coração? Como pode, com efeito, um admirador confesso de CONAN DOYLE (no prefácio deste “Breviário”), a menos que admire o que nem sequer leu, esquecer o “Silver Blaze”, “The Lion’s Mane” ou “Thor Bridge”’ ou os famosos “Bat Wing”, de SAX ROHMER e “Three Coffins”, de JOHN DICKSON CARR, baseados numa inextrincável e deliciosa confusão de acidentes e assassinatos e (bem vistas as coisas…) suicídios? 

[19] COMENTÁRIO

Cá temos o pretensioso etiquetador de “categorias literárias”, falando de cátedra. O empobrecimento da liberdade de escolha temática é imbecil e, mais uma vez, Van Dine parece não ter lido Doyle. E os seus contos “The Naval Treaty” e “The Second Stain”. E Freud, esse “não científico”, tiraria conclusões interessantes do último parágrafo da regra décima-nona…muito pouco lisonjeira para Van Dine!

[20] COMENTÁRIO

Mais um amontoado de divagações, desmentidas cada uma delas, mesmo na altura em que as escreveu, por diversos autores de primeira água e enorme êxito.. Quanto ao “factor” H (o quarto fechado), desde John Dickson Carr a Edward Hoch, Joseph Commings, Hake Talbott e John Sladek, sempre foram fonte de inspiração para obras excepcionais, como “The Siamese Twins”, de Ellery Queen, que parece apostado em contrariar todas e cada uma destas regras à gogo… 

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