Domingo, Junho 16, 2024
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O Paradoxo da Escolha do PSD e o neoliberalismo

O PSD vive hoje o paradoxo da escolha que já atingiu mortalmente o CDS: Ser neoliberal ou ser social.
O neoliberalismo é fruto dos anos 70, e sua versão prática foi estabelecida para contestar o modelo do Estado de bem-estar social do pós Segunda Guerra. Uma das experiências neoliberais foi levada a cabo no Chile. O ditador chileno Augusto Pinochet entrou em contato com os professores da Escola de Chicago (Milton Friedman, p.ex), que recomendam medidas pró-liberalização do mercado. Entre as medidas constavam a redução drástica da despesa pública, demissão em massa de funcionários, e privatização de empresas estatais.

As eleições de Margareth Thatcher no Reino Unido e de Ronald Reagan nos Estados Unidos no início dos anos 1980 foram indicativos desse fenômeno de instauração da selva econômica e social, darwinismo social, chamaram-lhe, vencem os mais fortes e ai dos vencidos,
Um conjunto de ideias neoliberais surgiu em 1989, quando o economista John Williamson publicou um artigo apresentando um conjunto de regras acordadas com grandes instituições financeiras, o que ficaria conhecido como Consenso de Washington. É o mínimo denominador comum da ideologia dos neoliberais:
• Redução da despesa pública;
• Reforma fiscal (que beneficie os rendimentos mais altos);
• Juros de mercado;
• Abertura comercial;
• Investimento estrangeiro direto;
• Privatização de empresas estatais/públicas;
• Desregulamentação (flexibilização de leis económicas e do trabalho)
Este foi o programa neoliberal, sem tirar nem por, dos governos do PSD de Passos Coelho. Privatização de tudo (TAP, aeroportos, portos, pontes, estaleiros); incentivo à educação e à saúde privada, como as PPP dos hospitais, tão defendidas pelos Bastonários dos Médicos e outros grupos de apoio aos grandes grupos da saúde privada, Fundos Privados de Reforma, Despedimentos, Incentivo à Emigração, Redução de Reformas e Pensões, Aumento de horas de trabalho. Medidas que tiveram o resultado conhecido, aliás esperado pelos economistas da FMI: As medidas neoliberais aumentam a desigualdade, a instabilidade social e o prejuízo um crescimento sustentado.
Este é o retrato do programa neoliberal do PSD de Passos Coelho. Agora, aproveitando e a indefinição do PSD, entre o programa de neoliberalismo puro e duro, e um governo social-democrata do PS, surgiu a Iniciativa Liberal, a propor um programa de continuidade ao liberalismo ao estilo do PSD de Passos Coelho. A Iniciativa Liberal é um Passos Coelho 2.
O PSD está agora num dilema, num paradoxo da escolha: ou se afirma neoliberal e ressuscita políticas de Passos Coelho (já com pouco para privatizar), e enfrenta a concorrência dos puros da Iniciativa Liberal, o que causa a rejeição garantida de setores da sociedade, que os conservadores querem ter o apoio do Estado e de políticas públicas; ou se apresenta como um partido com preocupações sociais e tem a concorrência do PS e a animosidade dos grandes interesses, que já estão a financiar a IL.
A escolha de um líder nestas circunstâncias implica uma definição prévia de políticas. É aqui que bate o ponto. Os pró-chilenos da Iniciativa Liberal afiam facas e salivam… Passos Coelho deve marcar um jantar com Cotrim de Figueiredo, cada um com a sua Maria Luís Albuquerque, com o seu Relvas.

Carlos Matos Gomes

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