Domingo, Junho 16, 2024
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ProTejo aproveita Caravana pela Justiça Climática” para fazer campanha contra o projeto Tejo

O Trilho Panorâmico de Vila Nova da Barquinha foi, ontem, dia 14 de abril, percorrido pela “Caravana pela Justiça Climática” com destino ao Parque Ribeirinho desta vila, onde se realizou uma ciranda (assembleia popular) com o tema “Projeto Tejo – o Ecocídio do Tejo pelas barragens” e “EcoParque do Relvão: Problema ou solução?”.

Serviu este encontro para os dinamizadores do movimento ProTejo voltarem a manifestar-se contra o Projeto Tejo, cujo estudo prévio de viabilidade económica e ambiental está ainda em elaboração, devendo ser publicadas as conclusões este Verão. No entanto, os militantes do Protejo são contra, porque querem “manter os últimos 120 km de rio Tejo livre dos novos açudes e barragens propostos pelo Projeto Tejo que representa um esbanjar de dinheiros públicos quando existem soluções de captação de água diretamente do rio Tejo sem mais barragens e muito mais económicas”.

Os dinamizadores do movimento são contra o Projeto Tejo porque” irá valorizar os terrenos agrícolas” (300 mil hectares pertencentes a cerca de 30 mil agricultores que serão servidos pelo sistema de rega, sendo que 75% destes agricultores têm explorações com áreas inferiores a 5 ha, e deverão ver os seus rendimentos multiplicados por seis. No entanto, para o proTejo, o “projeto Tejo pretende apenas alcançar a especulação imobiliária com a valorização dos terrenos agrícolas com impactos negativos nas regiões do Médio Tejo e Lezíria do Tejo quanto à atividade económica de turismo ecológico, rural e cultural”.

Embora os novos açudes sejam rebaixáveis no Inverno, e não provoquem a inundação de terrenos marginais, os dirigentes do Projeto acham que o projeto irá provocar a “descaracterização do património cultural associado ao rio Tejo, como o Castelo de Almourol, as aldeias avieiras e os mouchões do rio Tejo, envolvidos por um rio que corre livremente, bem como diversos impactos ambientais negativos que se sabe que os açudes e barragens têm sobre a biodiversidade e os valores ecológicos, neste caso, do rio Tejo”.

Neste encontro do movimento, “apelou-se ainda a todos os cidadãos de Lisboa e da Área Metropolitana de Lisboa para protegerem a fauna e a flora do estuário do Tejo”. Isto porque entendem que “os novos açudes e barragens irão destruir os equilíbrios dos ecossistemas do estuário do Tejo ao constituírem um obstáculo físico à passagem de nutrientes e substâncias químicas”. De salientar que o projeto Tejo prevê a construção de açudes de baixa altura (inferior a 4 m.) entre Azambuja e Almourol, sem inundação marginal, e rebatíveis no Inverno, criando uma “estrada da água” contínua de Lisboa ao Almourol, e açude de altura média (10 m.) entre Almourol e Belver, rebatíveis no Inverno, prolongando a “estrada da água” até Belver.

O projeto Tejo pretende combater o impacto das alterações climáticas que irão provocar uma redução de 30% do caudal do rio Tejo nas próximas décadas. Desta forma, o projeto Tejo pretende garantir água em permanência todo o ano no rio Tejo, com evidentes benefícios para a fauna, flora, para o abastecimento humano e para a agricultura. Os caudais em falta nos meses de Verão serão garantidos pelas barragens existentes (geridas pela EDP mas em fim de concessão), e a construir nos afluentes do rio Tejo, nomeadamente uma nova barragem do Alvito no rio Ocreza, que permitirá responder a eventuais falhas de caudal vindos de Espanha.

O açude a construir na Azambuja, sem inundação de terrenos marginais, rebatível no Inverno, permitirá resolver o grave problema da intrusão salina, que já ameaça seriamente a agricultura nas lezírias de toda a região.

No entanto, para os promotores do movimento Protejo, “a retirada de enormes volumes de água para o regadio interromperá o ciclo ecológico da água não permitindo a passagem de água doce suficiente o que provoca alterações nas águas de transição (salobras) do estuário e nos ecossistemas que destas dependem”.

Estão previstas eclusas para a passagem de barcos, e de escadas de peixes nos novos açudes e nos já existentes (Belver e Fratel), tornando o Tejo o Tejo navegável entre Lisboa e a barragem espanhola de Cedilho. O projeto Tejo garante que o sistema apenas irá reter menos de 10% do total da água que corre no Tejo, e garantirá água em permanência no rio todo o ano.

Porém, para os promotores do ProTejo, “o caudal passará a ser insuficiente para transportar os sedimentos em direção ao mar, impedindo que se depositem nas praias da orla costeira”.

 

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