Quarta-feira, Maio 22, 2024
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Exemplo de um inaceitável desperdício em Saúde: A não utilização do farmacêutico na gestão de doentes mais previdentes

As gerações mais novas não têm ilusões: terão de fazer face a riscos acrescidos de desigualdade, numa idade avançada, em relação aos reformados atuais. A idade está a ser vivida de uma maneira radicalmente diferente para as gerações nascidas a partir de 1960, devido ao aumento da esperança média de vida, à diminuição do número de elementos do agregado familiar, ao aumento das desigualdades ao longo da vida ativa e à atribuição de reformas com valor mais diminuto que as atuais. Alguns grupos serão confrontados com o risco elevado de pobreza durante a velhice. Dado que estamos cada vez mais velhos, temos mais doenças crónicas, diferentes morbilidades; muitas vezes, os que têm menos poder de compra tratam-se mal, o que significa, para além da falta de acesso ao medicamento, que não dispõem de literacia em Saúde e têm preconceitos na adesão à terapêutica. O resultado é óbvio: enormes desperdícios nos gastos com a Saúde, impressionante número de hospitalizações que não existiriam se os doentes tivessem acesso ao tratamento, ao medicamento e aderissem à terapêutica.

Há situações aparentemente comezinhas que têm um peso impressionante nos bons resultados em Saúde. É o caso da introdução de um novo medicamento que modifica o modelo anterior da terapêutica seguido por um doente crónico. E daí, compreender-se como há já países da União Europeia que tomaram medidas para uma melhor gestão da doença crónica. Os farmacêuticos fazem obrigatoriamente parte deste desafio. Em Portugal, regra geral, continua a encarar-se o farmacêutico, não como um técnico altamente especializado em medicamentos, mas como um mero dispensador das receitas, dos medicamentos não prescritos e operador de uma curta lista de cuidados farmacêuticos.

O desafio agora é acompanhar o doente com caráter permanente e vê-lo ganhar capacitação na adesão à terapêutica. Estão a crescer as experiências e os programas em que os farmacêuticos acompanham doentes portadores de doença crónica, seja nos casos em que se introduz um novo medicamento, seja horizontalmente num quadro de doença, como a asma. Estima-se que caminha para 9 milhões por ano, e na União Europeia, o número de admissões hospitalares não planeadas, por reações adversas aos medicamentos, das quais 70% referem-se a pessoas com 65 anos ou mais, que são polimedicadas ou sujeitas, por isso, à polifarmácia. A gestão apropriada destes doentes levará fatalmente a poupanças para a sustentabilidade do SNS.

Enfim, estão a decorrer experiências com ótimos resultados, revela-se promissor este novo quadro de cuidados farmacêuticas personalizados, sempre com acompanhamento paralelo do médico de família ou do especialista, em que os registos destes contactos podem ser analisados a qualquer momento pelo médico ou pelos competentes serviços do Ministério da Saúde. Os doentes têm liberdade de escolha, o mesmo é dizer que os doentes são livros de escolher o seu farmacêutico de referência. Oxalá não demore muito mais tempo a aplicação prática desta nova visão das políticas de Saúde em Portugal.

Mário Beja Santos

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