Terça-feira, Novembro 29, 2022
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Presidente Marcelo, o Almocreve dos Abraços

Marcelo Rebelo de Sousa, o nosso Presidente da República, ofereceu-nos um triz de inesperada – e falsa – modéstia, garantindo-nos que está convencido de que a história da sua Presidência não passará de um par de pequenas linhas, em nota de pé de página, que salientarão a tentativa de ser muito próximo e sensível às pessoas.

Ora, atendendo ao facto de este ser o homem que encabeçou o Estado Português durante um período tão negro e difícil como foi o da crise de saúde pública gerada pela Covid-19, e não esquecendo de que, de igual forma, liderou o País – dentro dos limites das suas funções, naturalmente – quando fomos confrontados com a mortal catástrofe dos incêndios de 2017, tal percepção marcelina causa-me cínica estranheza. Soa a uma absurda confissão de inutilidade que resume os seus mandatos em três vocábulos: “fui um fofinho.”

Conhecendo-se Marcelo Rebelo de Sousa, fora e/ou dentro da actividade política, compreende-se que esta melosa humildade não corresponde à avaliação que o incumbente faz dos serviços por si prestados às Causa e Coisa Públicas, até porque tamanho atestado de incompetência, mesmo que auto-atribuído, não seria comportável pelo ego de alguém que se sabe – e eu reconheço-o – mais valioso do que um mero almocreve dos abraços; e, com isto, entenda-se, não estou a negar que o Presidente da República também tem sido um vendilhão de ósculos e amplexos, disponibilizando a sua mercadoria em troca de votos.

Infelizmente, querendo adicionar à fofura a sandice, o Prof. Marcelo decidiu convocar um Conselho de Estado para persuadir o Governo a revelar os cenários macroeconómicos que se abeiram, dado que ninguém dúvida de que se avizinham grandes apertos e adversidades agravados pela loucura genocida de Vladimir Putin. Não me interpretem mal, porquanto ressuma obviedade que esses números deverão ser veiculados; no entanto, certas informações, como as deste tipo, carecem de bastante cuidado e delicadeza quanto ao modo e ao momento de serem divulgadas, visto que o seu tratamento apressado ou abrutalhado pode conduzir à materialização daquilo que é indesejado (self-fulfilling prophecy ) ou incrementar os seus efeitos negativos.

Numa fase paradoxal do ecossistema político como aquela em que vivemos, na qual um governo, apoiado por um partido com maioria absoluta no Parlamento, se demonstra fraco, flácido, cansado, sem ideias e molengão, torna-se um incómodo cognitivo, um genuíno desgosto, concordar com Fernando Medina e António Costa no que concerne a esta matéria.

Só Marcelo para me provocar tanta inquietação…

João Salvador Fernandes

 

 

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