Quarta-feira, Maio 22, 2024
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O Alviela em debate no Centro de Ciência Viva em Alcanena

Decorreu no dia 26 de novembro, no Centro de Ciência Viva do Alviela, mais um evento de Café de Ciência, baseado no livro «O RIO QUE LISBOA BEBEU– Edições Cosmos», da autoria do romancista e historiógrafo Mário Rui Silvestre. Participaram, além do autor, o biólogo José Manuel Alho; o Vereador do Ambiente da Câmara de Alcanena Nuno Silva; e a historiadora Bárbara Bruno.

Após algumas palavras de introito da diretora daquele Centro de Ciência Viva do Alviela, Paula Robalo, interveio o vice-presidente da Câmara de Alcanena, falando de aspectos ecológicos e revelando alguns dos próximos projetos da autarquia para aquele espaço na área da hotelaria.

Seguiu-se uma exposição detalhada, pela historiadora Bárbara Bruno, do lisboeta Museu da Água – Núcleo dos Barbadinhos, onde se guarda a maquinaria que serviu para distribuir a mesma água do Alviela, desde 1880, e quase durante um século, pela Capital.

Mário Rui Silvestre, autor do livro, destacou quatro momentos históricos deste notável afluente do Tejo, desde a doação de oito moinhos do mesmo rio aos Templários, em 1157, pelo rei Afonso Henriques, passando por vários sucessos marcantes na história nacional, com um das batalhas decisivas da Guerra Civil portuguesa travada nas suas margens (1834), e ganha pelo marechal Saldanha, o qual, no fim da mesma batalha, repousou no ainda existente solar dos Avelares, junto a este rio, também frequentado por Alexandre Herculano e mais gente distinta.alcanena ciencia viva livro mario rui silvestre

Abordou ainda os ecos jornalísticos da chegada do Alviela a Lisboa (1880), por figuras tão distintas como o poeta Guilherme de Azevedo, o escritor Gervásio Lobato, e figuras maiores da literatura Nacional, Eça, Camilo, Ramalho Ortigão etc; até artistas plásticos e caricaturistas como Rafael Bordalo Pinheiro.

Como não podia deixar de ser, Mário Rui Silvestre referiu também o Período Negro do Alviela, que situou desde 1957, e os primeiros protestos das populações e de ambientalistas, como o famoso Joaquim Jorge Duarte, o Diabo, narrando o martírio sofrido pelos povos ribeirinhos durante décadas, para concluir, como paralelo paradigmático da moderna situação climática mundial, que a poluição não afeta só os que a sofrem mas também aqueles que a produzem, como se prova hoje com Alcanena, a terra agora mais atingida pela poluição ainda não totalmente erradicada deste rio histórico e das fábricas de curtumes daquela laboriosa vila, concluindo que também aqui são necessárias pontes de entendimento entre todos os atores deste problema de décadas.

Mário Rui Silvestre, ele próprio um lutador antigo pela despoluição do Alviela, considera este actual momento, que se iniciou em 2007 com a criação do Centro de Ciência Viva do Alviela, junto daquele que antes havia sido um rio morto, o Período da Esperança.

A sessão acabou com animado e inédito debate, com intervenção de Joaquim Garrido, o editor deste livro, e de um auditório qualificado, sobre o efeito quântico na biologia, e em espécies que habitam aquele espaço deste Centro, o rio Alviela, e aquela praia fluvial anexa: o pisco de peito-ruivo, a enguia e o fantástico pica-peixe, uma das aves mais esplêndidas e curiosas deste país.

 

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