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Aristides de Sousa Mendes – por Vítor Franco (com podcast)

Este 19 de julho faz 138 anos que nasceu Aristides de Sousa Mendes.

Homem singular, diplomata de carreira, tornou-se uma referência na defesa dos direitos humanos. O episódio mais conhecido foi quando, durante três dias e três noites, concedeu milhares de vistos para as pessoas fugirem da invasão alemã a França. Consta-se que 30 mil pessoas, entre elas 10 mil judeus, tenham conseguido salvar assim a sua vida.

Aristides terá apoiado o golpe de 28 de maio de 1928 que instaurou a ditadura, mas foi posição efémera que as contradições da vida são inexoráveis. Aristides “pagou cara a fatura” do seu gesto humanitário, foi expulso da carreira diplomática e terá falecido na pobreza. Salazar foi impiedoso com Aristides.

As desobediências de Aristides à ditadura fascista já vinham de antes de 1940, mas foi neste ano que a sua atitude se reforçou. Em março concede visto ao “refugiado político espanhol, o comunista Eduardo Neira Laporte, médico que exercera o cargo de professor na Universidade de Barcelona e que, à época era o dirigente da comunidade basca espanhola em Rivière”. Em maio já passa passaportes portugueses falsos e em junho, ante o avanço das tropas alemãs, concede vistos indistintamente.

Para perpetuar e informar sobre este ato de coragem e humanismo foi criado o Museu Virtual Aristides de Sousa Mendes que, enquanto Cônsul de Portugal em Bordéus, desobedeceu ao regime e salvou muitos milhares de vidas.

Os reconhecimentos dos seus atos são inúmeros. Destaco que em 1966, o Centro para a Memória do Holocausto, em Jerusalém, lhe atribuiu o título de “o Justo entre as Nações”; o Estado Português, através da Assembleia da República, concedeu-lhe honras de Panteão Nacional em julho de 2020.

A Casa do Passal, casa da família em Cabanas de Viriato, Carregal do Sal, teve aprovada a candidatura para a sua requalificação e musealização; os seus trabalhos aproximam-se da conclusão.

Vale a pena refletir sobre estes atos de desobediência. São atos de coragem, dignidade e humanismo. Valem pela lição que nos transmitem, valem pelos valores e valem pela consciência de que viver subjugado ao medo “não é vida”!

Vítor Franco

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