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InícioOpiniãoHomo Sapiens: a nossa espécie fracassou? por Vítor Franco (c/podcast)

Homo Sapiens: a nossa espécie fracassou? por Vítor Franco (c/podcast)

 

Partilho convosco um pequeno olhar sobre o livro “Sapiens, uma breve história da humanidade” de Yuval Noah Harari, um livro que já é um best-seller internacional.

“Sapiens” é um livro muito interessante. É também um livro muito rico de informação e muito denso, o que exige concentração na leitura.

“Sapiens” coloca uma visão apelativa e desafiadora da história e para vos aguçar o apetite cito “Somos a única espécie que acredita em coisas que não existem na natureza, como Estados, dinheiro e direitos humanos”…

Em “Sapiens”, Harari não procura polemizar como o conceito de que “a história da humanidade é a história da luta de classes” dos filósofos Karl Marx e Friedrich Engels, mas arrasa e interroga [objetivamente] o capitalismo. No epílogo do seu livro escreve: “Nós dominamos o meio à nossa volta, aumentamos a produção de alimentos, construímos cidades, fundamos impérios e criamos grandes redes de comércio. Mas diminuímos a quantidade de sofrimento no mundo?”.

Se fosse possível fazer hoje uma tertúlia de Harari com Engels seria um lindo debate de mais de uma semana, cruzaríamos “Sapiens” com “A origem da família da propriedade e do estado” escrito em 1884. Engels termina o seu livro citando o antropólogo Lewis Henry Morgan “Desde o advento da civilização, nunca chegou a ser tão grande o aumento da riqueza, assumindo formas tão variadas, de aplicação tão extensa, e tão habilmente administrada no interesse dos seus possuidores, que ela, a riqueza, transformou-se numa força incontrolável, oposta ao povo. A inteligência humana vê-se impotente e desnorteada diante de sua própria criação. (1)

Ao recebermos as constantes notícias de catástrofes no mundo, inundações inauditas e de consequências brutais, secas extremas matando milhares de pessoas à fome em África ou obrigando-as à imigração, fogos queimando centenas de milhares de hectares e matando gente e natureza sem precedentes, ciclones maiores do que 800km, tornados cujos ventos batem recordes históricos de velocidade (…), talvez possamos refletir um pouco sobre o nosso modelo económico e social.

Regresso a Harari, sim, porque o homo sapiens é heterogéneo. A humanidade atual tem dominadores versus dominados, acumuladores de riqueza versus pobreza, “eternos” decisores versus apáticos recetores das decisões, justiça versus injustiça, sapiens destruindo a natureza que lhes garante a existência…

Regresso a Harari, sim, ele que começa o capítulo 8 com a conclusão “Não existe justiça na história”. Nesse capítulo ele traz à nossa presença aquilo que foi o Código de Hamurabi. Hierarquia, desigualdade, discriminação; senhores versus escravos, homens brancos versus homens negros, homens versus mulheres, sapiens versus natureza, sapiens versus animais… O Código de Hamurabi parece persistir na humanidade atual sobre outras formas: hierarquia, desigualdade, discriminação sob outras e perigosas formas sob a capa da justiça…

A última frase deste seu livro é: “Existe algo mais perigoso do que deuses [o homo sapiens atual] insatisfeitos e irresponsáveis que não sabem o que querem?”

Vítor Franco

1) Morgan, A Sociedade Antiga, pág. 502.

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