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Construir a República 

Uma exposição com peças de Aires Henrique, um economista, um homem da cultura, detentor do maior e mais destacado Museu da República e Maçonaria, na Península Ibérica, sediado em Troviscais, uma aldeia de Pedrógão Grande. Desse manancial de um espólio único, foram retiradas 52 peças que constituem a exposição em Coimbra, inaugurada no passado sábado, 16 de setembro, pelo presidente da edilidade, Dr. José Manuel Silva.

Muito bem enquadrada, numa sala iluminada, moderna e adequada a uma exposição deste quilate, são dados a entender os símbolos maçónicos à época da constituição da República, em Portugal, o 5 de Outubro de 1910.

Como a República chegou a Coimbra, o Ultimatum Inglês, a sublevação do 31 de janeiro de 1891, no Porto; a Propaganda Republicana, o Regicídio, o Projecto Republicano, os Símbolos Nacionais Republicanos, os Movimentos Republicanos em Coimbra, as Greves e convulsões estudantis, são apenas alguns dos muitos escritos que nos levam a perceber melhor o que constituiu o movimento e a ação  que levou à queda da Monarquia.

A exposição ajuda-nos a perceber como se formaram as Sociedades Secretas: além da Maçonaria, a Carbonária e o seu percurso, num esforço tendente a acabar com uma Monarquia corrupta, sem brilho nem glória, perante um país cuja população desacreditava no sistema. No fundo, uma realeza sem brilho nem glória e um país endividado. Afigura-se a urgência da mudança pela forma como as políticas de então eram conduzidas!  Derrubada pela força, conforme sabemos, acentua-se o papel da secreta Carbonária, que havia arregimentado mais de 40 000 aderentes, recrutados nas camadas populares e nas baixas patentes militares, prontos ao derrube da decadente Monarquia. Após a implantação da República esta sociedade secreta acabou por desaparecer. Percorremos esta exposição através de bem elaborados escritos: “Depois de destruídas todas as opressões, é necessário construir pela liberdade, novas instituições económicas e políticas. Essa deve ser a nossa obra incessante (…)”, palavras de Bernardino Machado; ou, de Jorge Abreu: “A revolução tinha de ser feita com o povo e com a tropa – o povo abrindo caminho à tropa”; ainda, de Bernardino Machado: “A República não surgiu como um acontecimento imprevisto, um incidente casual, sem raízes no passado: foi a consequência lógica incontrastável de séculos de lutas pela nossa pertinaz redenção”.

Agora, que se comemoram 50 Anos de Abril, eis que os factos não estão assim tão distantes pela forma e pelo conteúdo em que se operaram essas mudanças vitais da sociedade portuguesa! Ele há ingredientes que se repetem e levam à luta pela Liberdade e pela Democracia, para lá dos sacrifícios impostos ao nosso dia a dia.

Arnaldo Vasques

Antropólogo / Temas Contemporâneos

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