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Os micro prados verdes para descer altas temperaturas nas cidades – por Vítor Franco

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As minhas viagens têm sempre o objetivo de aprender. Para aprender é preciso saber ouvir; diria que ouvir é duplamente mais importante do que falar, pois temos dois ouvidos e só uma boca.

Ouça aqui a crónica no podcast:

Também é preciso olhar, olhar com atenção, olhar com perguntas, olhar com pesquiza dos porquês.

Chamo isto à nossa “conversa” porque em Santiago de Compostela, de onde cheguei de mais um Caminho, tomei contato com o conceito dos micro prados verdes. De que se trata?

Trata-se de um projeto do Consórcio Santiago e do Grupo de Análise e Conservação da Biodiversidade da Universidade de Santiago de Compostela que, “há mais de um ano, estudam o impacto que as plantas entre as pedras do solo do centro histórico podem ter do ponto de vista ambiental, influenciando a redução da temperatura”. (1)imagem pedra calçada

As imagens de temperaturas (2) recolhidas pelo investigador Miguel Serrano são claras sobre o efeito das altas temperaturas no solo em função até da sua micro composição.

As decisões empedrar as praças, como fez a Câmara de Santarém, fizeram aumentar a temperaturas extremas das próprias cidades. O aumento das temperaturas globais tem assim um impacto superior e ainda mais negativo sobre um espaço urbano desprovido de lugares verdes e de possibilidade de humidade.

O problema é tão sério que leva à necessidade de estudos e mudança de paradigmas do espaço urbano chegando ao ponto de se tentar melhorar as temperaturas com os quase interstícios entre as pedras.

Em Santarém começam a ser comuns as fotografias e os cartoons sobre as temperaturas extremamente altas na cidade que pululam nas redes sociais no verão. As asneiras que a governação da cidade fez no Largo do Seminário ou no chamado Jardim da Liberdade pagam-se caro!

Vale a pena olhar a sério para tudo isto. Vale a pena equacionar transformações em diálogo com a comunidade. Vale a pena pensar tudo isto, de todo o espaço público, de forma inclusiva. A experiência de Santiago de Compostela procura agora harmonizar a necessidade de redução de temperaturas no solo urbano com a facilitação da deslocação das pessoas com mobilidade reduzida como pessoas com deficiência, idosos e crianças.

Assim se faz um diálogo positivo a bem de toda a comunidade, procurando um novo olhar, olhar com atenção, olhar com perguntas!

Vítor Franco

1 Jornal La Voz de Galicia

2 https://twitter.com/M__Serrano/status/1547660783416315904/photo/1

 

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