Quarta-feira, Junho 12, 2024
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Declaração Universal de Falência Moral

Neste ano que finda celebrou-se, a 10 de Dezembro, o 75.º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Criada por uma Comissão da Organização das Nações Unidas, esta Declaração constitui, juntamente com dois Pactos Internacionais sobre Direitos, a Carta Universal de Direitos Humanos.
Não se pode dizer que, no papel, não se tenha tentado.
Mas, de lá para cá, 75 anos parecem ser tempo suficiente para admitir que o projecto falhou. Não, não somos nações unidas. Não, não lutamos em conjunto pelos direitos humanos.
É uma triste realidade, mas quanto mais cedo nos propusermos a a aceitar, mais cedo percebemos que algo tem de mudar. No sentido na paz, ou, infelizmente, no sentido da guerra.

Assistimos a vetos da Rússia na ONU, sobre a guerra que a mesma desencadeia. Por outro lado, temos uns EUA a fazê-lo relativamente a Israel. Nos discursos, pedem a Netanyahu para refrear a escalada. No mesmo dia, enviam pacotes militares de apoio a Israel.
O fósforo branco que é criticado na guerra em solo ucraniano, é fornecido pelos EUA a Israel. Usado sempre “de forma legal”, alegam os responsáveis israelitas. Claro.
Este país do Médio Oriente que apregoa constantemente os seus valores varre “por vingança”, indiscriminadamente, populações, em nome da sua retaliação contra um ataque terrorista.
Este mesmo país é campeão de resoluções da ONU a condenar as suas acções. Não só as ignoram como um rufia prepotente, como acusam de antissemitismo toda e qualquer declaração que, na sua óptica, possa colocar em causa a sua autoproclamada superioridade moral.
É absolutamente vergonhoso usar as vítimas de um genocídio passado para se escudar da opinião internacional em relação a um genocídio presente.
Não, senhores. Antissionismo não é antissemitismo. E quando ser sionista significa dar um estatuto superior a pessoas com base no seu código genético, na sua cultura ou na sua religião, que lhes permite considerar os outros como menores, então o sionismo assemelha-se bastante a um outro ismo, responsável pela morte de muitos judeus, cujos responsáveis israelitas actuais não são dignos de mencionar.

Mas vamo-nos colocando a jeito. Na União Europeia, a ajuda à Ucrânia encontra barreiras na Hungria. Nos EUA, a ajuda americana à Ucrânia está cada vez mais difícil, apesar do recente pacote, com os republicanos a exigirem políticas de migração mais exigentes.
Ou seja, “há que ser sensível e ajudar estrangeiros do outro lado do planeta, desde que se garanta que outros estrangeiros não venham para o meu país chatear-me a cabeça e dar-me problemas.”

Acrescentemos a tensão entre a Venezuela e a Guiana, por causa da região de Essequibo. Uma disputa que já conta com 200 anos, mas que em 2015 se tornou “consideravelmente” mais apetecível, com a descoberta de petróleo nas águas da região.
Para rematar, há dias, Xi Jinping anunciou que a reunificação com Taiwan era “inevitável”. E Kim Jong-un alerta para uma possível guerra contra a Coreia do Sul.

Não, não há ponta por onde se lhe pegue.

Já se pode mandar à merda, ou em 2023 ainda é politicamente incorrecto? Esperemos por 2024, então.

João Barreiro

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