Terça-feira, Abril 16, 2024
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Paulo Raimundo em Almeirim lança CDU como os “guarda-rios” do parlamento

A vala de Almeirim foi onde gerações passadas da região nadaram e pescaram, mas hoje a água que vai dar ao Tejo mal se vê entre a praga de jacintos para a qual a CDU veio alertar.
Na estreita ponte que passa sobre o curso de água que vem desde a Chamusca e atravessa Alpiarça e Almeirim até chegar ao rio Tejo, o secretário-geral do PCP vislumbrou até ao horizonte uma espessa cobertura de vários tons de verde. “Isto é uma imagem impressionante”, confessou Paulo Raimundo a Heloísa Apolónia, rosto do partido ecologista Os Verdes (PEV) durante anos no parlamento e que procura agora voltar como terceira da lista da CDU no distrito de Setúbal.

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Bernardino Soares, 1.º candidato da CDU pelo distrito de Santarém

“Se pensares que outrora houve gerações que aprenderam aqui a nadar, pescavam aqui… As atuais gerações hoje nem conseguem perceber que isto é um curso de água”, explica Heloísa Apolónia, enquanto os automobilistas se vão desviando com ar surpreso do aparato causado pela pequena comitiva e pelos jornalistas sobre a ponte. “Hoje [os jovens] quase podem correr [aqui]. Podia ser um campo”, ironiza o líder comunista.
Na iniciativa estiveram Bernardino Soares, cabeça de lista da CDU por Santarém, Mariana Silva, candidata do PEV pela lista da CDU em Lisboa, e Manuela Cunha, dirigente d’Os Verdes e antiga vereadora local, que recorda que aquela vala foi limpa há cerca de 20 anos. No entanto, lamentou a falta de monitorização e cuidado ao longo do tempo, associando o atual cenário ao desaparecimento dos guarda-rios.cdu legislativas almeirim 1 2024
“As [espécies] infestantes proliferam e isto é dramático. Os jacintos são extremamente proliferantes. Não há fiscalização, não há uma continuidade. Enquanto houve guarda-rios era muito diferente”, disse, descrevendo o efeito de atrofia da água causada pelos jacintos de água doce, que acabam por retirar o oxigénio: “Há muito disto no país. Sem oxigénio não há vida”.
Entre as causas desta proliferação esteve, segundo Heloísa Apolónia, o excesso de carga orgânica naquele ecossistema, causada por suiniculturas ou pela agricultura intensiva.
“Tens uma componente de biodiversidade que não se desenvolve. Podes ter os melhores acordos, as estratégias de promoção de biodiversidade repletas de boas intenções, mas se tiveres isto tudo no papel e não houver investimento real, é isto e isto é pobreza ambiental no país”, resumiu.
Paulo Raimundo ainda sugeriu que limpar esta área “também deu um belo negócio” e reconheceu que é preciso “atacar o problema”, mesmo que possa “não ser completamente possível de resolver na totalidade”. Mas foi já uns metros à frente, fora da ponte e afastado dos carros e motas que passavam, que Paulo Raimundo fez uma análise mais extensa do problema e da importância de uma iniciativa de campanha voltada para o ambiente.
“Estamos perante um problema muito grande no nosso país e no mundo, até, que é tudo o que envolve a água e a utilização da água”, salientou, questionando: “Esta vala não é limpa há mais de 20 anos. Não é possível, não se pode alegar falta de recursos financeiros para isto. Essa é que é a grande questão: que opções é que têm de se fazer também no ponto de vista ambiental, com tudo o que isso implica na vida de todos e de cada um?”
O regresso dos guarda-rios foi enfatizado ao longo da iniciativa por várias vozes e o secretário-geral do PCP estendeu a ideia até ao parlamento após estas eleições: “É preciso os guarda-rios, é preciso a Heloísa [Apolónia] e outros deputados do PEV e do PCP, os verdadeiros guarda-rios para tomar conta da praga dos jacintos”.

“Ventura está a marimbar-se” para os problemas das pessoas

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O secretário-geral do PCP acusou hoje o presidente do Chega, André Ventura, de não se preocupar com as pessoas e apenas pensar em “ir para o poder a todo o custo”.

A posição de Paulo Raimundo surgiu na sequência de uma entrevista à RTP na segunda-feira do líder do partido de extrema-direita, na qual disse que os partidos de direita têm de dizer se estão disponíveis para “criar um entendimento” caso alcancem maioria nas eleições legislativas com vista a formar um governo estável.

“Essa afirmação até tem importância neste momento porque ela revela três questões: a primeira é que para lá do discurso todo de André Ventura, ele, no fundo, está a marimbar-se para as pessoas e para os problemas das pessoas. O que quer é chegar ao poder, sejam lá quais forem os meios. E quer chegar ao poder para voltar ao tempo anterior, voltar ao projeto que nós, com a força do povo, interrompemos em 2015”, defendeu, acrescentando como segunda vantagem a evidência de que a CDU “é a força mais consequente” no combate à direita.

Paulo Raimundo falava aos jornalistas à margem de uma visita à vala de Almeirim, no distrito de Santarém, onde esteve a alertar para as questões ambientais, dando como exemplo a praga infestante de jacintos no curso de água que vai da Chamusca até ao Tejo. E foi a partir desse exemplo que apontou a terceira vantagem das palavras de André Ventura, ao associar a vala de Almeirim à configuração do parlamento após as eleições de 10 de março.

“A terceira [vantagem], já que estamos neste enquadramento, é que é mais uma razão porque precisamos dos guarda-rios do PEV e do PCP para ir tratar dos jacintos que, pelos vistos, querem florescer na Assembleia da República”, salientou, na companhia do cabeça de lista da CDU por Santarém, Bernardino Soares, e das candidatas de Os Verdes a deputadas pela CDU nos círculos de Setúbal e Lisboa – Heloísa Apolónia e Mariana Silva, respetivamente.

O líder comunista lembrou também que o presidente do Chega “já fez essa manobra nos Açores e vai tentar fazer agora”, notando que “é um problema que a direita vai ter de resolver”. No entanto, recusou que a campanha eleitoral esteja a ser metaforicamente afetada por uma praga de jacintos, como a vala de Almeirim.

“Com esta dimensão julgo que não. Claro que um jacinto aqui, um jacinto ali… O problema não é um jacinto aqui, um jacinto ali; o problema é que os jacintos juntaram-se todos aqui e o que precisamos é que a partir do dia 10 de março os jacintos não se juntem todos na Assembleia da República. É preciso guarda-rios, é preciso a Heloísa [Apolónia] e outros deputados do PEV e do PCP, os verdadeiros guarda-rios para tomar conta da praga dos jacintos”, finalizou.

Na entrevista à RTP, Ventura indicou que há dirigentes do PSD que “se têm feito ouvir” publicamente, lançando os nomes de Pedro Passos Coelho, Miguel Relvas, Ângelo Correia e Rui Gomes da Silva.

Aos jornalistas, na segunda-feira à noite, em Portalegre, o presidente do Chega foi questionado se estes sociais-democratas lhe transmitiram esta posição diretamente e respondeu que não.

“O que eu disse hoje numa entrevista à RTP foi que alguma destas pessoas, inclusivamente já várias figuras importantes do PSD, disseram que Luís Montenegro tinha de encontrar uma solução”, afirmou.

Instado a indicar quem lhe transmitiu essa informação, o líder do Chega escusou-se a fazê-lo: “Se não disse na altura, não vou dizer agora”.

“É a evidência de que o PSD não deixará, quando eu chamei as forças vivas, e alguns até já o disseram publicamente, não deixará que o PS governe por causa de um capricho de Luís Montenegro”, argumentou.

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