Home Cultura & lazer

“Em Abril Estórias Mil: Da Ditadura à Liberdade” – Novo livro de Jaime Fernandes apresentado em Santarém

1
Jorge Custódio, Fernando Mão-de-Ferro, João Luiz Madeira Lopes e Joaquim Correia Bernardo na mesa da sessão de apresentação do livro

O lançamento do livro “Em Abril Estórias Mil – Da Ditadura à Liberdade”, de Jaime Fernandes, realizou-se esta quinta-feira, 11 de abril, na SRO Solciedade Recreativa Operária em Santarém.

A apresentação do novo livro de Jaime Fernandes contou com as presenças do editor Fernando Mão-de-Ferro, das Edições Colibri, de João Luiz Madeira Lopes, da Associação das Comemorações Populares do 25 de Abril de Santarém e companheiro das lutas políticas da Oposição Democrática durante a ditadura, do historiador Jorge Custódio e do Capitão de Abril Joaquim Correia Bernardo.

Na assistência, o vereador da Cultura da Câmara de Santarém e muitos amigos de Santarém, Vila Franca de Xira, Covilhã, Almada, Lisboa, Almeirim, Leiria e duas presenças especiais para o autor, a sua filha Catarina e a neta Kaia, que vieram de Londres para o lançamento do livro em que são protagonistas.

O editor Fernando Mão-de-Ferro apresentou o livro como um “trabalho pedagógico que serve para contar aos mais jovens o que foi e o que representa o 25 de Abril”. O romance surge na forma de uma narrativa de um avô que conta à neta a sua vida em Santarém e como se tornou um revolucionário contra o regime fascista e como pagou as suas opiniões políticas com a prisão.

“Como é possível termos uma juventude tão passadista, saudosa do anterior regime!?”, questiona o editor, salientando que o “regime fascista manteve uma guerra colonial com o sacrifício de gerações de jovens, com mais de 10 mil mortos, muitos milhares de feridos e estropiados, e muitos outros com sequelas psicológicas que ainda hoje sofrem”.

“Hoje temos 50 deputados que são contra o 25 de Abril e um milhão e duzentas mil pessoas votaram contra o 25 de Abril e o que ele representa”, lamenta o editor, considerando que “isto só pode acontecer porque os jovens não sabem o que foi o país durante a ditadura”.

Fernando Mão-de-Ferro afirma que “o livro lê-se em poucas horas e as escolas deveriam dar a sua leitura, para que todos percebam o que foi o 25 de Abril”.

O historiador Jorge Custódio evidenciou o facto da capa do livro usar a fotografia do momento em que Jaime Fernandes sai do portão da prisão do Forte de Caxias, a 27 de Abril de 1974. Para Jorge Custódio, o livro é “um documento pedagógico que trata de personagens e acontecimentos reais, que são apresentados como estórias, contadas pelo avô à neta. Uma forma didática de apresentar a história e de a transmitir às gerações mais jovens, para que co nheçam o que as gerações anteriores viveram e lutaram para que hoje tenham a liberdade e a democracia”. Considera o livro um memorial que permite fazer valer a força da luta se travou antes e no 25 de Abril, dando relevo aos acontecimentos em Santarém.

 

O coronel Joaquim Correia Bernardo afirma que este livro “é um ato de coragem, porque o autor quando escreve, despe-se, expõe a sua vida. E é também um ato de ternura, do avô que dedica à neta o livro”.

“O avô era o nosso Google, e neste livro é a ele que a neta pergunta: ó avô, por que é que foste preso? E o Jaime tem essa habilidade”, afirma Joaquim Correia Bernardo. “Como geógrafo que é, Jaime Fernandes fala da natureza e das pessoas de Santarém, e a passear com a neta pela cidade torna-se historiador. E com uma ternura extraordinária consegue explicar à neta o seu amadureciomento político e a sua entrega à causa, que foram as razões da sua prisão pela PIDE. Depois, conta as suas prisões, as torturas, o sofrimento e também o consolo de saber que a resistência é possível”.

Finalmente, o 25 de Abril, apresentado como um projeto nacional, com a participação de unidades de todo o país.

Para o coronel Joaquim Correia Bernardo, é importante que os professores saibam transmitir aos jovens a história do 25 de Abril, e este “doutor google” é mais importante do que o telemóvel a piscar…”

 

 

1 comentário

  1. Recuperando a frase que Salgueiro Maia utilizou na parada, antes de arrancarem para Lisboa, da EPC – Santarém: “O Estado a Que Chegámos” não tem nada a ver com o 25 de Abril, porque de Abril resta pouco, quase nada…

    O que as entidades oficiais celebram não é o Abril Popular e transformador, o dia em que a poesia e a alegria inundou as ruas, mas novembro, o estado de sitio, o recolher obrigatório, a prisão dos oficiais que derrubaram a ditadura fascista e apoiaram as lutas das classes trabalhdoras, o regresso dos fascistas e a sua reintegração como, por exemplo, Tomaz e Spínola, este tinha um mandado internacional de captura, por ter chefiado a tentativa de golpe político/militar de 11 de março de 75, com o bombardeamento do RAL1 (Regimento Artilharia Lisboa 1) que assassinou o soldado Luís e, como foi derrotado, fugiu para Espanha a bordo de um helicóptero militar, e ser o chefe da rede bombista/terrorista (MDLP/ELP).

    Este foi dissolvido, após o golpe político/militar reaccionário de 25 de Novembro de 1975, e o seu chefe: Spínola responsável por vários crimes, não foi detido, nem julgado, muito pelo contrário, foi promovido a Marechal, com pompa e circunstância. Essa foi a sua primeira “condecoração”, a oferecida pelo Marcelo é, da sua parte, o reconhecimento de um dos seus.

    Condecorar com a ordem da liberdade semelhante personagem é demonstrativo do “Estado a Que Chegámos” e do conceito de liberdade do presidente da república burguesa/reaccionária, assim como a eleição para vice-presidente do parlamento burguês de um correlegionário do Spínola, ambos membros da rede bombista/terrorista (MDLP/ELP)… Pode-se concluir que o partido deste vice é como a pescada: antes de ser já era.

Deixe o seu comentário

por favor, escreva o seu comentário
Por favor, escreva aqui o seu nome

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

Fechar
Exit mobile version