Sábado, Maio 18, 2024
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Vida digna – por Vítor Franco (c/ podcast)

Os tempos estão estranhos, ou a democracia está estranha!

Democracia deveria rimar com esperança, dignidade e respeito. Deveria rimar, não só nas instituições, mas em todo o lado. Deveria rimar nas empresas, como a EDP.

A imposição forçada de salários mais baixos aos jovens trabalhadores desta empresa mata a esperança. Jovens que trabalham em turnos ou disponibilidade de trabalho extra à noite, de inverno ou de verão, faça chuva ou sol, calmia ou tempestade.

Jovens cujo trabalho é feito com esforço físico e mental, com riscos de queda e eletrocussão, deixando o conforto do lar para transformar a escuridão das tempestades na luz de todas as casas, jovens que trabalham com Dignidade.

Este trabalho, o qual também fiz durante muitos anos, merece ser tratado com respeito pela administração do grupo. Ao invés, o presidente do Conselho de Administração Executivo (CAE), Miguel Stilwell apelidou de “generosos” os aumentos salariais de 3% para os trabalhadores – enquanto ele recebeu um aumento 18%. E uma coisa são 3% sobre 14.000€ ano, outra são 18% sobre 970.000€… Isto é indigno!

A esta quantia [970 mil] “somam-se os 411 mil euros de prémios referentes a 2022 e 77 mil variáveis relativos a 2021. Nesse sentido, no mandato que se estendeu entre 2021 e 2023, o líder da elétrica amealhou 1,5 milhões de euros e, em conjunto com o triénio 2018-2020, contabiliza uma remuneração total de 2,1 milhões de euros”.

A democracia está a ser bombardeada pela indignidade, pelo arbítrio legalizado, neoliberal radical, com o favorecimento dos sucessivos governos que têm “oferecido” centenas de milhões de euros do dinheiro público à EDP.

Ter uma vida digna é uma condição essencial da democracia. Não se pode sufocar uma vida digna em democracia. A democracia não pode aceitar passivamente que um capitalismo dito de rosto humano se transforme num capitalismo neoliberal radical.

Nós, trabalhadores, não desistiremos, afinal celebramos 50 anos do 25 de abril!

Vítor Franco

Vector cartoon drawing conceptual illustration of fat rich man, businessman or capitalist in suit and money in pockets is eating food of crowd poor small people around. Concept of corporate greed and social inequality.
Imagem Depositphoto

Com fúria e raiva

Com fúria e raiva acuso o demagogo
E o seu capitalismo das palavras

Pois é preciso saber que a palavra é sagrada
Que de longe muito longe um povo a trouxe
E nela pôs sua alma confiada

De longe muito longe desde o início
O homem soube de si pela palavra
E nomeou a pedra a flor a água
E tudo emergiu porque ele disse

Com fúria e raiva acuso o demagogo
Que se promove à sombra da palavra
E da palavra faz poder e jogo
E transforma as palavras em moeda
Como se fez com o trigo e com a terra

Da poetisa Sophia de Mello Breyner Andresen, junho de 1974.

 

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1 comentário

  1. A única forma que as classes trabalhadoras tem para conquistar uma vida digna, é através da sua unidade, organização e acção, como ficou demonstrado no próprio dia 25 de Abril que, desobedecendo às ordens emitidas pelos militares, saíram para a rua e influenciaram o desenrolar dos acontecimentos.

    Por um lado, saudavam e apoiavam os militares na sua acção para derrubar a ditadura fascista, por outro lado, organizaram-se espontaneamente e, desde logo, expressaram as suas exigências e lutaram por elas como, por exemplo, o fim da PIDE/DGS, cercando a sua sede… Onde a PIDE matou quatro jovens e feriu dezenas de pessoas, com rajadas de metralhadora, as que foram aos hospitais foram detidos pela PSP, para posteriormente serem entregues à PIDE… Enquanto se iniciava, de imediato, a “caça ao PIDE e aos seus bufos”, em Lisboa.

    Nos dias imediatos, as classes trabalhadoras iniciaram o processo de organização: nos locais de trabalho: elegem comissões de trabalhadores, delegados sindicais, comissões sindicais e inter-sindicais; por sector: tomaram as sedes dos sindicatos fascistas e formam comissões administrativas para prepararem o processo de eleições para as direcções; nos sectores onde não existiam sindicatos: iniciaram os trabalhos para os constituírem etc.

    Nos locais de habitação: formam comissões de moradores; comissões de melhoramento, recreio, desportivo e culturais…

    Foi um tempo de grande dignidade das pessoas das classes trabalhadoras e populares, que descobriam que também tinha voz e tinham peso, que se reuniam em assembleias para debater e resolver os problemas, as questões da sua vida colectiva, e saiam para a rua para se fazerem ouvir e conquistarem direitos básicos como, por exemplo, contratos colectivos de trabalho, fim aos despedimentos, direito à greve, fazendo-a, contra a lei anti-greve, redução de horário de trabalho, aumentos salariais, direito a férias… Esta era a essência da democracia, que foi banida com o golpe político-militar reaccionário em 25 de Novembro de 1975.

    O que nos resta? Um simulacro de democracia, meramente formal e administrativo-jurídica, levá-la a sério é um erro com consequências devastadoras, como nos demonstra a realidade actual.

    E da liberdade, que se estava a criar, construir, resta-nos o podermos falar, sem sermos perseguidos, presos, torturados e/ou assassinados, mas as detenções, processos judiciais, julgamentos e condenações a todas as pessoas que lutam pela vida, através de acções de desobediência civil, são a realidade actual e estão a acentuar-se, isto é, a repressão está em ascensão.

    No fundamental, traduz-se na liberdade dos capitalistas, das corporações internacionais, apoderam-se e acumularem as riquezas produzidas pelas classes trabalhadoras, enquanto estas estão cada vez mais pobres, enquanto o rotativismo político-partidário vai concorrendo e partilhando a administração do poder, ao serviço dos interesses instalados em detrimento da esmagadora maioria das pessoas, em particular das classes trabalhadoras e populares.

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