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25 Abril: Carros militares ganham “nova vida” à ferrugem e vão “reviver” a revolução em Santarém

As 14 viaturas militares recuperadas pela APVMA vão integrar as comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, participando no dia 24 na simulação que pretende recriar a saída da Escola Prática de Cavalaria de Santarém rumo a Lisboa e, no dia 27, com a chegada da coluna militar a Santarém.

São 14 viaturas militares que fizeram história no dia 25 de Abril de 1974 e ganharam “uma nova vida” à ferrugem de muitos anos de abandono, após trabalhos de restauro, tarefa que continuará a ser feita por uma associação.
Além de terem desenvolvido alguns trabalhos de manutenção na “Bula”, a icónica chaimite que transportou Marcello Caetano do Largo do Carmo para a Pontinha, a Associação Portuguesa de Veículos Militares Antigos (APVMA) tem recuperado outras viaturas que se encontram no Museu Militar de Elvas (Portalegre) e que estão ligadas à Revolução dos Cravos.
Em declarações à agência Lusa, o presidente da APVMA, José Manuel Alves, explica que tem sido um trabalho “muito complexo”, uma vez que muitos destes veículos militares estavam parados há décadas.
“As viaturas estavam paradas há mais de 40 anos. Foi muito complexo, por uma razão ou por outra era um monte de ferrugem autêntico, não estavam conservadas, estavam ao ar livre, mas com o recurso a que nós chamamos de canibalização, que é ir retirar peças a viaturas semelhantes e que existam, conseguimos chegar a uma conclusão boa”, disse.
A APVMA, que já recuperou 14 veículos ligados à revolução, tem desenvolvido o seu trabalho de forma gratuita, contribuindo com a mão-de-obra, mas com o apoio do Exército português que financia os projetos.
O responsável explicou ainda que as 14 viaturas já recuperadas pela APVMA vão integrar as comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, participando no dia 24 na simulação que está anunciada e que pretende recriar a saída da Escola Prática de Cavalaria de Santarém rumo a Lisboa e, no dia 27, com a chegada da mesma coluna a Santarém.
“E vão estar no dia 25 de Abril em Lisboa, desde a tomada do Terreiro do Paço. Vamos ali reconstituir um pouco a chegada da coluna ao Terreiro do Paço, após a cerimónia militar que vai acontecer e depois vamos subir ao Largo do Carmo, cercar o Quartel do Carmo, onde vamos estar até às 16:00 e, a partir daí vamos à Pontinha, ao posto de Comando do Movimento das Forças Armadas transportar, supostamente, o professor Marcello Caetano na chaimite ‘Bula’”, explicou.
A “Bula”, nome de uma aldeia na Guiné-Bissau, encontra-se há seis anos no Museu Militar de Elvas, sendo considerada por muitos a viatura “mais emblemática” do 25 de Abril.
“A mais emblemática é, sem dúvida, a chaimite “Bula” que só foi beneficiada por nós porque o Exército sempre a manteve em condições, deu algum trabalho com a motorização, por outras razões como qualquer automóvel tem problemas e tem avarias”, explicou.
Considerada “uma estrela” no Museu Militar de Elvas, espaço que foi inaugurado em 2009, a chaimite “Bula” sai à rua regularmente todos os anos para as comemorações do 25 de Abril.
O coronel Nuno Duarte, que dirige o Museu Militar de Elvas, espaço museológico que atualmente conta com cerca de 100 viaturas em exposição, explicou à Lusa que a “Bula” merece sempre uma “atenção especial” por parte de quem visita aquele museu.
Nuno Duarte recordou ainda que, quando chegou como aspirante à Escola Prática de Cavalaria de Santarém, Salgueiro Maia, que na altura era major, confessou-lhe que “talvez o momento mais difícil” por que tenha passado no dia 25 de Abril foi quando houve a necessidade de sair do Largo do Carmo e teve pela frente um grande aglomerado de pessoas e, no interior da chaimite “Bula”, os ministros que tinha de transportar em segurança.
“E disse (Salgueiro Maia para Nuno Duarte): como é que eu vou sair daqui com estes ministros em segurança, eu não posso disparar contra o povo que me está a ajudar a fazer a revolução”, relatou.
Mas, segundo Nuno Duarte, a diplomacia “falou mais alto”, o povo “naturalmente afastou-se” e Salgueiro Maia conseguiu sair rumo ao posto de comando do Movimento das Forças Armadas (MFA), na Pontinha.
Entre as recordações e os festejos de uma liberdade que chegou a Portugal há 50 anos, a APVMA promete continuar no terreno o seu trabalho, que passa por continuar a restaurar e recuperar outros veículos, tendo como um dos próximos desafios uma Panhard EBR que também “fez história” em Abril de 1974.

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