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Dor? A ligeira e moderada? A ligada à doença crónica? Como a tratar?

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É do senso comum que quando sentimos dor estamos a receber um aviso de que algo no nosso organismo não está bem. A dor tem um caráter subjetivo, daí a extrema dificuldade de a classificar quanto à sua intensidade. As situações mais frequentes prendem-se com a dor ligeira a moderada e de curta duração, para o seu tratamento estão disponíveis medicamentos que, em regra geral, não estão sujeitos a prescrição médica. Seja como for, a indicação farmacêutica é fundamental, há que avaliar a situação baseada nas respostas que o doente transmite para caracterizar a intensidade e o tipo de dor percebida. É que para cada dor o seu medicamento. Recorde-se que há a dor ciática, a dor de ouvidos, as dores musculares e articulares, a enxaqueca, as dores ditas do reumatismo, e muitas mais.

No aconselhamento farmacêutico, ao fazer a avaliação, o profissional de saúde tem inevitavelmente de perguntar se o doente sofre de patologias e quais. Só um exemplo. Uma dor gástrica não pode ser tratada com analgésicos ou anti-inflamatórios, dado que alguns dos princípios ativos são, em muitos casos, agressivos para o estômago. Uma cólica intestinal poderá obrigar a recorrer a um medicamento específico para alívio de espasmos, mas se esta cólica estiver relacionada com uma diarreia ou uma prisão de ventre, o tratamento deverá orientar-se para cada uma destas situações. Estamos na presunção de que a dor que leva o doente à farmácia é ocasional. Há que sublinhar este aspeto, uma dor muito intensa, e que se prolongue no tempo, deve obrigatoriamente ser sujeita a uma avaliação que só o médico tem formação e meios para fazer.

Indo à farmácia, o doente deverá estar preparado para responder a perguntas do seguinte tipo: localização exata da dor; intensidade; se é ou não incapacitante (isto é, se reduz, e como, as capacidades motoras ou outras); há quanto tempo surgiu, se é de caráter contínuo ou intermitente; se associa o seu início a qualquer fator, como sejam determinados alimentos, traumatismos, erros de postura, entre outros aspetos. O doente deverá ainda informar o farmacêutico se já tentou fazer um outro tratamento, quais os resultados obtidos. Da análise das respostas a este tipo de perguntas, o farmacêutico fica disponível para identificar se a dor que o doente sofre pode ser tratada sem consulta médica ou se deve aconselhar dirigir-se prontamente ao seu médico.

Tal como a dor é personalizada, também o tratamento o deverá ser, e é por isso que o ato farmacêutico se baseia num aconselhamento pessoal, feito numa atmosfera calma. Quanto ao que designamos por enxaqueca, a dor de cabeça é prolongada, pode durar desde 4 a 72 horas e até piorar com a atividade diária e física. A enxaqueca é tratada pelo médico, é uma doença crónica; é um distúrbio neurovascular, afeta mais as mulheres. O farmacêutico pode ajudar a identificar os principais sintomas e distinguir uma dor de cabeça associada a medicamentos, sinusite, doença inflamatória, trauma, etc. Havendo diagnóstico médico, compete ao farmacêutico promover a adesão à terapêutica, esta é muito importante.

Acresce que o doente deve ser incentivado à literacia em saúde, por exemplo, saber que qualquer dor de cabeça pode piorar ou tornar-se crónica pelo uso excessivo de fármacos para a enxaqueca ou medicamentos como os anti-inflamatórios não esteroides. Seguramente que o seu médico o advertirá para quais os medicamentos suscetíveis de provocar dor de cabeça e o seu farmacêutico lhe dará informações sobre os medicamentos designados por não prescritos pelo médico, caso do paracetamol, do ibuprofeno (em doses moderadas), do ácido acetilsalicílico e do naproxeno.

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Toda a sua vida profissional, entre 1974 e 2012, esteve orientada para a política dos consumidores. Além da atividade funcional, foi representante associativo, tendo exercido funções no Comité Consultivo dos Consumidores, na Comissão Europeia, e na direção da Associação Europeia de Consumidores. Foi autor de programas televisivos e radiofónicos, bem como de dezenas de trabalhos no campo específico do consumo. Ao nível da sua participação cívica e associativa, mantém-se ligado à problemática dos direitos dos doentes e da literacia em saúde, domínio onde já escreveu algumas obras orientadas para o diálogo dos utentes de saúde com os respetivos profissionais, a saber Quem mexeu no meu comprimido?, 2009, e Tens bom remédio, 2013. Doente mas Previdente, dá continuidade a esta esfera de preocupações sobre a informação em saúde, capacitação do doente, o diálogo entre os profissionais de saúde, os utentes e os doentes. Colabora frequentemente com a imprensa regional e blogues, e exerce benevolato com associações de consumidores, como seu representante. Desde 2006 que se dedica igualmente a estudos sobre a colónia da Guiné portuguesa e a vida política na Guiné-Bissau, temas sobre os quais publicou uma dezena de livros.

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