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Falar Saúde: Dia Mundial do Médico de Família – À conversa com o Dr. Sérgio Medina – Diretor dos Cuidados de Saúde da ULS Estuário do Tejo (vídeos)

O Mais Ribatejo inicia a nova rubrica “FALAR SAÚDE” neste domingo, 19 de maio, em que se comemora o Dia Mundial do Médico de Família. Falamos com o Dr. Sérgio Medina Rosário, médico de família e diretor clínico dos Cuidados de Saúde Primários da ULS – Unidade Local de Saúde do Estuário do Tejo.

Na primeira parte desta conversa, o Dr. Sérgio Medina fala-nos dos cuidados a ter com as alergias nesta altura crítica do ano. A Primavera e o Outono são as épocas do ano mais complexas no que diz respeito às alergias. O médico considera que em primeiro lugar é preciso que a pessoa saiba exatamente ao que é alérgica. Procurar uma resposta a essa questão nos cuidados de saúde é o ponto de partida. Porque só sabendo aquilo a que é alérgica é que poderá prevenir e evitar as alergias ou pelo menos minorar os seus efeitos.

Com o Verão à vista, talvez a pensar em como vão ficar de fato de banho na praia, muitas pessoas sentem o apelo a iniciar dietas e exercício físico. Sendo a dieta e o exercício físico fundamentais para mantermos a saúde, é no entanto necessário acautelar qual a dieta e o tipo de exercício físico que melhor de adequam a cada um.

Com a chegada do calor, o Dr. Sérgio Medina recomenda que se escolham as horas de menor calor, ao início da manhã e ao final da tarde, para a prática do exercício físico. É fundamental o uso de protetor solar no exercício ao ar livre, assim como a hidratação.

Sendo o exercício físico fundamental também para os mais velhos, de forma a evitar um rápido declínio, o Dr. Sérgio Medina recomenda que se procure saber na área do seu município que apoios existem para a prática de atividade física, por exemplo caminhadas, hidroginástica ou aparelhos de ginásio ao ar livre adequados aos séniores. O médico distingue aqui o desporto da atividade física, sendo que o desporto implica uma carga de treino elevada que não se adequa com as pessoas de mais idade. Para estas recomenda-se a atividade física de baixa intensidade e com duração mais prolongada.

Quanto a dietas, o Dr. Sérgio Medina considera que o bom senso é fundamental. Primeiro que tudo deve procurar ajuda especializada, com o seu médico de família ou com o nutricionista. Não se vai experimentar uma dieta porque se leu um artigo numa revista ou por recomendação de uma prima ou de uma amiga. Deve sim procurar ajuda profissional, para fazer uma dieta em segurança e específica para a sua idade, condição física e atividade.

O “Doutor Google” e a Inteligência Artificial entraram no consultório médico

Nesta segunda parte da conversa, falamos a “concorrência” do Dr. Google, com muitos doentes a procurarem informação na internet sobre saúde.

“As pessoas, hoje em dia, quando entram na consulta, já trazem o diagnóstico feito, já têm os sinais e sintomas, o diagnóstico e o tratamento definidos”, afirma o Dr. Sérgio Medina.

“É uma realidade, temos de ouvir as expetativas e preocupações dos nossos utentes, e não podemos desvalorizar as suas preocupações. Temos, no entanto, de informá-los e educá-los para a saúde, e é preciso fazer uma triagem da informação recolhida na internet. A informação até pode estar correta, mas não se ajusta à pessoa”.

Nesse aspeto, “cabe-nos a nós, médicos, fazer essa educação para a saúde e espírito crítico. Muitas vezes, pela negativa, a informação colhida na internet provoca grande ansiedade e preocupação aos utentes, porque vem preocupados, já com diagnósticos já feito, querem fazer exames, e tudo isso agrava o seu estado de saúde com perturbações do sono e ansiedade”.

Para o Dr. Sérgio Medina, a educação para a saúde é fundamental, e nesse sentido, a acessibilidade de informação fidedigna na internet pode contribuir para uma melhor literacia em saúde e complementar o trabalho do médico junto do doente.

O Dr. Sérgio Medina fala-nos também da Inteligência Artificial, que já faz parte do trabalho dos médicos dos cuidados de saúde primários e hospitalares da ULS Estuário do Tejo. Considera que a Inteligência Artificial pode ajudar o médico, é importante na prática clínica, vai diminuir o erro, mas não pode funcionar em exclusivo. A humanização é fundamental”, conclui.

ULS Estuário do Tejo é das que têm mais utentes sem médico de família

Na terceira parte desta conversa, o Dr. Sérgio Medina fala-nos do papel central do médico de família no SNS – Serviço Nacional de Saúde, papel esse que é reforçado com a recente reforma do SNS que veio criar as USL – Unidades de Saúde Locais, que integram e articulam os cuidados de saúde primários e hospitalares, e com a generalização das USF – Unidades de Saúde Familiares de Modelo B em todos os concelhos.

“É fundamental que os médicos de família sejam valorizados e que o seu papel seja reforçado. A Medicina Geral e Familiar é a única especialidade que acompanha a pessoa durante toda a sua vida, desde o nascimento, e até antes na gravidez, até ao seu falecimento. Portanto, é o pilar dos Cuidados de Saúde Primários e estes por sua vez são o pilar do SNS. Portanto, não podemos ter um SNS forte sem uma valorização e robustez dos cuidados de saúde primários”, afirma.

“Nós, os médicos de família, fazemos a promoção da saúde e a prevenção da saúde, fazemos o tratamento da doença aguda e a gestão da doença crónica, acompanhamos os grupos vulneráveis como a saúde infantil, a saúde da grávida e saúde materna, acompanhamos as doenças crónicas como a diabetes e a hipertensão, e fazemos a gestão e coordenação dos cuidados, porque também referenciamos os doentes para os cuidados hospitalares, articulamos com outras instituições dentro da saúde em Portugal, quando é preciso por exemplo apoio ao domicílio, ou procuramos apoios para casos sociais que necessitam de articulação com outras entidades”, salienta.

A ULS Estuário do Tejo é das que têm mais utentes sem médico de família

“A ULS Estuário do Tejo é, infelizmente, uma das ULS que herdaram mais utentes sem médico de família e esse é um problema que estamos muito empenhados em resolver”, declara o Dr. Sérgio Medina. “Embora estejamos a falar no Dia Mundial do Médico de Família, hoje em dia o médico de família identifica-se com uma equipa de saúde familiar. Não é só o médico, é toda uma equipa que conta com o apoio dos seus pares e que trabalha em parceria com o seu enfermeiro de família e o secretário clínico. Cada vez mais, as USF estão a ser fomentadas em todo o país e também a USL Estuário do Tejo pretende implantar cada vez mais as USF, onde há uma equipa que acompanha os utentes”.

46% dos utentes dos 5 concelhos da ULS Estuário do Tejo não têm médico de família

O diretor clínico dos Cuidados de saúde Pimários da ULS Estuário do Tejo salienta que “partimos de uma realidade em que 46% dos utentes dos 5 concelhos da ULS Estuário do Tejo não têm médico de família. Isso tem sido uma das principais preocupações desta equipa nestes cinco primeiros meses de trabalho da ULS, em que procuramos soluções para melhorar o acesso a quem não tem médico de família”.

“Estamos empenhados em dar resposta aos utentes em médico de família”

Nesse sentido, a ULS criou uma série de projetos, nomeadamente no concelho de Vila Franca de Xira, que estão a ter resultados bastantes positivos em termos de satisfação dos utentes, refere o Dr. Sérgio Medina. Adianta que neste momento, estes projetos estão em condições de ser alargados aos outros quatro concelhos da ULS Estuário do Tejo. Estamos a falar da oferta de consultas para utentes sem médico de família atribuído, no centro de saúde de Vila Franca de Xira. Neste momento, temos um tempo médio de resposta de uma semana para uma consulta, quando anteriormente não havia sequer resposta aos utentes sem médico de família.

Foi também criada a modalidade de vídeo-consulta no Forte da Casa e Póvoa de Santa Iria, que tem um tempo médio de espera de dois dias, e que serve para situações que não exijam uma consulta de observação médica presencial. Também esta resposta tem sido muito positiva quer para a satisfação dos utentes, que antigamente não obtinham resposta, quer para os profissionais que se sentem frustrados por não coinseguiram dar uma alternativa aos utentes”. A ULS pretende agora alargar em breve as vídeo-consultas aos concelhos de Benavente, Alenquer e à freguesia do Carregado.

Sobrecarrega de trabalho afasta médicos do SNS

“Os médicos são sobrecarregados com a pressão de terem, além da sua lista de utentes,  de ver também os utentes sem médico atribuído, e isso gera uma grande insatisfação de dos profissionais de saúde. Daí que até à data tenha sido muito difícil fixar médicos de família nestes cinco concelhos da ULSE Tejo”, afirma o diretor dos CSP da ULS.

“Os cinco concelhos da ULSE Tejo ainda não têm uma cobertura total de USF – Unidades de saúde Familiar”, lamenta o Dr. Sérgio Medina.”Temos uma USF modelo B em Arruda dos Vinhos, que tudo indica será o primeiro concelho que irá conseguir abranger a totalidade dos utentes com uma unidade de saúde familiar e isso será um marco importante para todos nós. As USF de Vila Franca de Xira, Vialonga, Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa, Alverca e Samora Correia também evoluiram para modelo B”.

“Tem-se registado uma evolução das USF do Modelo A para o Modelo B, o que traz a vantagem destas unidades contratualizarem, anualmente, com os seus profissionais uma série de indicadores de desempenho, pelo quais as equipas são avaliadas e recebem uma remuneração com um suplemento ajustado ao desempenho que tiveram perante os utentes, o que motivador para os profissionais e permite melhorar a qualidade da pestação dos serviços prestados aos utentes”, refere.

“Nesta ULS , o que fizemos, primeiramente, foi retirar a carga de pressão sobre os médicos de família que estão a exercer nas unidades funcionais, para que possam trabalhar e dedicar-se aos seus utentes e aos seus projetos com as suas equipas, de forma a sentirem-se motivados. Desta forma, pretendemos conseguir chamar mais profissionais para estas unidades de saúde”, adianta.

“Não consigo indicar ainda uma data para a resolução do problema dos utentes sem médico de família. Estamos totalmente empenhados para alterar, melhorando as condições de trabalho dos nossos profissionais. Um dos aspetos essenciais são os sistemas de apoio informático, em que registávamos muitas deficiências, e que estão a ser reformulados. É muito frustrante para um médico estar a fazer uma consulta e não conseguir, porque o computador ou a rede não funcionam. Estamos empenhados em resolver esses problemas, porque só assim vamos conseguir ser mais atrativos para os profissionais que queiram trabalhar connosco no SNS e, dessa forma, engrossando os nossos recursos humanos, vamos conseguir mais rapidamente dar médico a todos os utentes”, conclui o diretor dos Cuidados de saúde da ULS Estuário do Tejo.

 

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