Domingo, Junho 16, 2024
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Por que não conversamos – por Ana Freitas (podcast)

A conversa tem olhos nos olhos, ouvidos, fala e sabor, olfacto e tacto. Os cinco sentidos numa conversa conversam. Muitas vezes em simultâneo. Imaginem um grupo a conversar. Quantos olhares e expressões, escutas e sons e tons, odores, sabores, e gestos e toques únicos. Tudo em nós fala.

 

Conversar é conhecermo-nos através dos outros. Por que nos escondemos em casa? Rodeada de muros cada vez mais altos? Comenta-se muito que os jovens não falam uns com os outros. Mas são os pais que os criam entre muros. Talvez não explique tudo, mas é o início de tudo. Há países em que vamos na rua e vemos as pessoas em casa a jantar. Sem que estas se importem. Não têm cortinas ou afastam-nas.

Por que aderimos tanto às redes sociais? Talvez porque achemos que é a grande janela para o mundo. Parece-me um paradoxo. Negamos os vizinhos, mas fazemos amigos no facebook. São os pais que dão telemóveis às crianças – muitas de tenra idade – para estarem sossegadas e sozinhas. Não será um escape para a ausência de conversa em família, com os amigos reais? E quanto isso é penoso. Mais pernicioso para as crianças que amanhã serão jovens e adultos agarrados, que desconhecem a liberdade de livremente voarem. Com a família, com os amigos. Com a natureza, com um livro.

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Ilustração Depositphotos

É mau conhecermos os outros? Darmo-nos a conhecer? Claro que implica consideração mútua. Como nos poderemos conhecer sem os outros? Somos gregários. São vínculos que se criam – essenciais entre gerações. Ajudam-nos a pensar as coisas. A equacionar novos dados. Acrescenta-nos conhecimento. Combate a solidão, a ansiedade e a depressão. A conversa – mesmo a de circunstância – desempenha estas funções sociais, como defende Bronislaw Malinowski[1], fundador da antropologia social britânica no século passado.

A falar é que a gente se entende, diz a D. Guilhermina. Quantos desentendimentos desataríamos.

Ana Freitas

[1] Bronislaw Malinowski, 1884, Cracóvia, Polónia – 1942, New Haven, Connecticut, EUA, antropólogo e etnólogo polaco-britânico.

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