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Fortalecer a União Europeia: Um imperativo de segurança e independência – por Catarina Sirgado Santos

Na atual conjuntura, onde as tensões geopolíticas se intensificam e os riscos de conflito aumentam, a Europa e a União Europeia enfrentam um dilema crucial no que diz respeito à sua segurança e estabilidade. É essencial que a EU não se limite a procurar exclusivamente a paz, mas que reconheça a urgência de desenvolver meios de defesa próprios. Neste sentido, é crucial que a Europa fortaleça a sua posição dentro da NATO, não apenas como um gesto de independência em relação aos Estados Unidos, mas também como uma demonstração da sua proximidade e compromisso com a segurança coletiva.

Vivemos numa época marcada por avanços tecnológicos e supostos progressos sociais, porém não podemos ignorar a persistente realidade sombria que nos rodeia. Os recentes eventos na Ucrânia (sendo este um país Europeu) e o conflito Israelo-palestino ecoam os horrores do passado, levantando questões sobre a essência da humanidade e da moralidade.

Diante desses conflitos, somos levados a ponderar sobre a teoria da banalidade do mal de Hannah Arendt e os horrores da Segunda Guerra Mundial, questionando até que ponto a Europa deve adotar uma postura mais defensiva. Este é um dilema que se torna cada vez mais evidente, especialmente diante do ressurgimento do nacionalismo extremo e da intolerância, que desencadeiam conflitos sangrentos e deslocamentos em massa.

Numa era de crescente incerteza geopolítica, é crucial que a União Europeia não apenas promova a paz, mas também invista de forma significativa na prevenção de conflitos e na segurança coletiva. O dilema atual vai além da busca pela paz, é também sobre a urgente necessidade de desenvolver políticas de defesa eficazes.

A União Europeia deve reconhecer que a prevenção de conflitos é fundamental para garantir a estabilidade e segurança nesta região do globo. Isso implica não só promover a diplomacia ativa e a mediação em situações de crise, mas também fortalecer as capacidades defensivas da União Europeia como um todo, em estreita colaboração com a NATO.

Frente às crescentes ameaças, tanto internas quanto externas, a UE deve estar preparada para proteger os seus interesses e dos seus cidadãos. Isso requer investimentos não só em capacidades militares, mas também em medidas preventivas, como o fortalecimento do Estado de direito, a promoção dos direitos humanos e a cooperação internacional em segurança.

Europe missile defence system concept, 3D rendering
Imagem Depositphotos

Além disso, o desafio de integrar medidas defensivas com ética e moralidade requer uma análise cuidadosa das implicações dessas políticas. A história europeia, repleta de lições sobre os perigos do militarismo e do nacionalismo extremo, oferece um guia valioso. Portanto, a UE deve adotar uma estratégia que não só fortaleça as suas capacidades militares e institucionais, mas também preserve o seu legado de promoção da paz e do respeito mútuo entre nações, garantindo que a segurança não comprometa os valores que definem a identidade europeia.

A União Europeia não pode mais ser apenas um espectador passivo na procura pela paz. É hora de assumir um papel mais proactivo na prevenção de conflitos e na defesa coletiva, garantindo assim um futuro mais seguro para a Europa, em estreita colaboração com os seus parceiros da NATO.

Em conclusão, ao fortalecer a sua unidade, a Europa também aprimora a sua capacidade de colaboração com parceiros importantes, como a NATO. Esta cooperação é essencial para garantir a segurança e a estabilidade no continente europeu e além. Uma Europa forte e unida contribui para uma defesa coletiva mais robusta, promovendo a paz e a segurança internacionais.

Portanto, os cidadãos europeus devem reconhecer a importância de apoiar partidos que promovam a união e a integração europeia. Somente com uma Europa unida e forte poderemos assegurar um futuro próspero e independente, onde os nossos interesses e valores são protegidos e promovidos globalmente.

Catarina Sirgado Santos

3 comentários

  1. O caminho para a paz e à segurança na Europa e no Mundo não vai passar por uma nova corrida aos armamentos e pela militarização de muito má memória.
    Esse caminho será o da diplomacia e da negociação, envolvendo todos os continentes.
    A ambição da Paz é comum a todos os Povos do Mundo.
    O arsenal nuclear existente chega para destruir a Humanidade várias vezes.
    O mercado das armas e equipamentos convencionais só serve os interesses dos complexos militares-industriais.
    O caminho que se impõe é o da diplomacia e das negociações regionais e globais.
    Se as repetidas propostas de Vladimir Putin, durante os anos de 2020 e 2021, tivessem encontrado eco nos EUA e na NATO, não estaríamos hoje confrontados com as guerras na Ucrânia e na Palestina.
    Um sistema global de segurança não pode servir objectivos de domínio e hegemonia do Mundo. Não pode, nem deve servir para garantir interesses económicos e financeiros de grupos.
    Esse sistema não pode passar por a Rússia e a China replicarem 600 ou 700 bases militares por 70 ou 80 países diferentes, tal como hoje acontece com os EUA.
    Nem tão-pouco pela já referida militarização da Europa ou de qualquer outro continente.
    Com o patrocínio da ONU, haja a coragem moral e política para lançar um Fórum para a Paz Mundial.
    E sejamos sérios e verdadeiros.
    Até hoje, só os EUA e nenhum outro país, usaram armas nucleares.
    Foi em 1945, sobre Hiroshima e Nagasaki, quando o Japão já estava derrotado na II Guerra Mundial, matança centenas de milhares de pessoas.
    Empenharem-se na procura da Paz Global, sem hegemonismos, seria uma forma de pedirem desculpa ao Mundo por essa trágica e criminosa ação de guerra desnecessária.

    Lutemos por um Sistema de Paz Global.

  2. Sim…sim Fernando…vamos chamar ditadores, não eleitos, imperialistas, e dizemos assim… não invadas pf… não tenho nenhum meio de dissuasão mas não é simpático o que estás a fazer. O tipo que andou a torturar, a prender e a matar o seu próprio povo de repente e por magia fica bonzinho. Queria invadir, aumentar o território, manipular as tuas decisões soberanas mas agora com esse forum da paz já mudou de ideias…
    A verdade é que se a Ucrânia não tivesse devolvido as suas armas nucleares à Rússia o que se passa hoje nunca teria acontecido…chama-se poder de dissuasão, chama-se capadidade de perceber que o outro não é vulnerável. Como costumo dizer: Utópia comunista e água benta cada um toma a quer….

  3. Caro Fernando Oliveira, embora o caminho para a paz e a segurança na Europa e no Mundo deva ser construído através da diplomacia e negociação, é crucial reconhecer que a capacidade de defesa serve como um poderoso elemento de dissuasão. O exemplo da Ucrânia ilustra claramente esta realidade. Sem o armamento fornecido à Ucrânia, o país não teria conseguido resistir à invasão. Os ucranianos, que elegeram democraticamente o seu presidente, não deveriam ser forçados a ceder território para satisfazer as ambições de Putin. Ceder a um ditador psicopata como Putin abriria um precedente perigoso com consequências graves. Portanto, ter armamento não é sinónimo de promover guerra, mas sim de garantir a capacidade de autodefesa e de dissuadir agressões futuras.

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